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Há 171 arguidos

O CM publica a lista completa das 171 pessoas que vão aparecer na acusação do ‘Apito Dourado’. Há oito árbitros de 1.ª categoria, três assistentes internacionais e ainda o presidente do CA da FPF, Carlos Esteves.

02 de setembro de 2005 às 13:00

A acusação do processo ‘Apito Dourado’ será deduzida nos próximos dias e inclui, entre 171 arguidos por alegados crimes de corrupção no futebol, para além de Pinto da Costa e Valentim Loureiro, o presidente da Naval 1.º de Maio, Aprigio Santos, bem como dezenas de árbitros, oito dos quais actualmente da primeira categoria nacional.

João Vilas Boas (Braga), Carlos Xistra (Castelo Branco), Cosme Machado (Braga) são nomes de árbitros de topo que ainda não eram conhecidos como arguidos neste megaprocesso, tal como Mário Mendes, que se retirou há pouco. Carlos Esteves, o único elemento do CA da FPF que não foi incluído na lista inicial faz, afinal, parte dos arguidos e vai ser acusado. Estes nomes juntam-se aos já conhecidos, como Jacinto Paixão e os internacionais Paulo Paraty e Lucílio Batista, além de Artur Soares Dias e Paulo Pereira. Há ainda três árbitros assistentes internacionais – António Perdigão, Devesa Neto e Serafim Nogueira, todos do Porto.

Com a divulgação integral desta lista, o Correio da Manhã esclarece finalmente quem é arguido e quem não é. O procurador de Gondomar, Carlos Teixeira, deverá ter a acusação pronta antes das eleições autárquicas. Valentim Loureiro (Gondomar), Isabel Damasceno (Leiria) e Avelino Ferreira Torres (Amarante) são candidatos à presidência das respectivas Câmara.

Entre vários nomes novos está o de Cosme Machado, de Famalicão (AF Braga), agora na primeira categoria, e que apitou o Gondomar-Dragões Sandinenses que, poucos dias depois do início da operação ‘Apito Dourado’, decidiu a subida dos gondomarenses à Liga de Honra.

António Araújo, o empresário ligado ao FC Porto, é um dos principais arguidos por corrupção.

Ao todo estão 110 árbitros de futebol, 27 dirigentes de clubes, um empresário de futebol (António Araújo), três empresários (entre os quais Sousa Cintra), todos os elementos do Conselho de Arbitragem da FPF, dois dos três vogais da Comissão de Arbitragem (Júlio Mouco e Mário Graça – a excepção é Luís Guilherme) e vinte observadores da arbitragem, a maioria dos quais da FPF.

Da Liga são ainda arguidos António Rodrigues da Silva, Fernando Mateus e Pinto Correia.

O presidente do Conselho de Arbitragem da AF Porto, Carlos Carvalho, também está na lista e terá beneficiado o Sousense, de Gondomar e terra de José Luís Oliveira, que foi o único arguido preso preventivamente. São ainda arguidos dois dirigentes do Sousense, Agostinho Silva e Américo Neves.

Confirmam-se entretanto os nomes dos autarcas Valentim Loureiro, Isabel Damasceno e Avelino Ferreira Torres, do ex-presidente do Sporting, Sousa Cintra, e dos empreiteiros Alberto Couto Alves e Joaquim Camilo, este último construiu em terrenos anexos aos estádios do Bessa e Dragão.

Os presidentes do Boavista, da União de Leiria, do Nacional e do Paços de Ferreira, João Loureiro, João Bartolomeu, Rui Alves e Hernâni Silva, figuram no libelo acusatório.

O procurador Carlos Teixeira entende ter prova suficiente para acusar os dirigentes e árbitros, já que além de 19 telemóveis sob escuta foram fotografados e filmados encontros comprometedores entre alguns arguidos.

A lista de 171 arguidos, à qual o CM teve acesso, refere-se à corrupção no futebol, tendo sido enviadas certidões, relativamente à eventual corrupção de magistrados, ao Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) do Ministério Público, em Lisboa.

LISTA DE VALENTIM INCLUI OLIVEIRA E CASTRO NEVES

Valentim Loureiro é naturalmente um dos dirigentes mais importantes que aparece na lista do processo. O presidente da Liga e da Câmara Municipal de Gondomar é outra vez candidato a esta autarquia, como lista independente o que lhe valeu mesmo um processo de expulsão do seu partido, o PSD.

José Luís Silva Oliveira, que esteve preso cerca de oito meses no âmbito do processo ‘Apito Dourado’ – foi mesmo o único arguido que esteve preso – mantém-se como nº. 2 da lista, tal como já era em 2001 assumindo a vice-presidência da autarquia, enquanto Joaquim Manuel Moura Castro Neves, que há quatro anos era apenas suplente, passou entretanto a vereador com o pelouro do Ambiente e aparece agora em sexto lugar.

Nas últimas eleições, recorde-se, a lista do PSD encabeçada por Valentim Loureiro conseguiu eleger exactamente seis vereadores e admite-se que agora os resultados sejam idênticos, apesar da candidatura do PSD poder retirar-lhe alguns votos.

CARLOS ESTEVES IMPLICADO

Carlos Esteves é um dos nomes que surpreende na lista de arguidos do ‘Apito Dourado’. Contactado pelo CM, o actual presidente do Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol, garante que já sabia.

“Fui chamado à PJ, salvo erro em Março, e informaram-me que seria constituído arguido pelo facto de pertencer ao CA e por causa de uma chamada telefónica com Pinto de Sousa”, afirmou, sublinhando desconhecer o teor do telefonema em causa. Esteves era o único membro do CA liderado por Pinto de Sousa que não tinha ainda sido envolvido no Apito Dourado.

Recorde-se que, depois de a juíza Ana Cláudia Nogueira, do Tribunal de Gondomar, ter imposto a Pinto de Sousa a suspensão da sua actividade Carlos Esteves acabou por assumir a liderança do CA.

Questionado pelo CM sobre o facto de muitos árbitros que são arguidos irem dirigir jogos esta época, afirmou: “À excepção de Jacinto Paixão, já foi levantada a medida de coacção que impedia alguns árbitros de dirigir jogos. O CA não vai impedir esses árbitros de apitar. Mas se forem condenados a justiça desportiva terá de actuar”.

PEQUENOS CLUBES

Clubes como o Anadia, o Rebordosa, o Amarante, Vizela, Valenciano, Vilaverdense, Lixa, Cinfães, Machico, Santana e até o pequenino Sport Club Progresso (da cidade do Porto) nunca tinham sido referidos na Imprensa, mas há nomes de dirigentes seus que também estão na lista e vão aparecer entre as surpresas do processo.

METRO DO PORTO

Em relação ao caso da Empresa do Metro do Porto, a investigação voltou para a Polícia Judiciária, mas o CM soube de fonte ligada ao processo que nada de comprometedor se terá apurado, havendo já poucas certezas em relação ao processo autónomo, aberto no Ministério Público de Gondomar. Ou seja, em princípio a EMP, de que Valentim Loureiro também era e continua a ser presidente, sairá sem acusações de todo este imbróglio.

A LISTA DE TODOS OS ENVOLVIDOS

27 dirigentes de clubes, 110 árbitros de futebol, 28 dirigentes federativos e da Liga, dois autarcas e quatro empresários são os visados neste megaprocesso.

DIRIGENTES DE CLUBES

Pinto da Costa, pres. FC Porto

João Loureiro, pres. Boavista

João Alberto Bartolomeu, pres. U. Desp. Leiria

Fernando Sousa Melo, Dirigente do Penafiel

Hernâni da Silva Moreira, pres. Paços Ferreira

Rui Alves, pres. CD Nacional

Agostinho Duarte da Silva, Dirigente Sousense

Américo Manuel Sousa Neves, Dirigente Sousense

António Augusto Pinto, Dirigente Anadia

António Freitas Candelária, Dirigente U. Desp. Santana

Benjamim Castro, Dirigente FC Vizela

David Alves Rodrigues, Dirigente Vilaverdense

Artur Pinheiro Azevedo, Dirigente Amarante FC

Artur Leite Mesquita, Dirigente FC Lixa

Aprígio Ferreira dos Santos, Dirigente Ass. Desp. Naval

Francisco da Silva Borges, Dirigente Sport Clube Lusitânia

Joaquim Castro Neves, Dirigente Gondomarense

Manuel Simão Ribeiro, Dirigente Penafiel

Pedro Miguel Ferreira, Dirigente Ass. Desp. Naval 1.º Maio

Paulo Rodrigues, Dirigente Sport Clube ValencianÕ

Joaquim Barbosa, Dirigente Rebordosa

José Luís Oliveira, Dirigente Gondomarense

Silva Reis, Dirigente FC Marco

António da Silva Veiga, Dirigente Estoril Praia

José Manuel Melo, Dirigente Machico

António Soares de Almeida, Dirigente Progresso

Jorge Manuel Ferreira, Dirigente Cinfães

Isabel Damasceno, pres. CM Leiria

Ferreira Torres, pres. CM Marco de Canaveses

Alberto Couto Alves, Empresário

Sousa Cintra, Empresário

Joaquim Camilo da Silva, Empresário

António Araújo, Empresário

DIRIGENTES DA LIGA E FPF

Valentim Loureiro, pres. Liga

António Azevedo Duarte, FPF

António Silva Henriques, FPF

Carlos Fonseca Esteves, FPF

Ezequiel Feijão, FPF

Francisco Costa, FPF

António Teixeira Bernardo, FPF

Carlos Olegário, FPF

Carlos Manuel Silva, FPF

Carlos Fernandes Pinto, FPF

Francisco Lopes Ferreira, FPF

João Penicho, FPF

Joaquim Almeida Soares, FPF

José Miguel Mendonça, FPF

João Soares Mesquita, FPF

José António Pinto de Sousa, FPF

Luís Nunes da Silva, FPF

Manuel Nabais, FPF

Paulo Pita da Silva, FPF

Manuel Barbosa da Cunha, FPF

Paulo Porto Gonçalves, FPF

Teresa Barroso Faria, FPF

António Rodrigues da Silva, LPFP

Fernando Santos Mateus, LPFP

João Pinto Correia, LPFP

Júlio Paiva Mouco , LPFP

Mário Borges Graça, LPFP

Carlos Carvalho, Pres. do Conselho de Arbitragem da Ass. Fut. Porto

Domingues Narciso, árbitro

Costa Freire, árbitro

Belarmino Aleixo, árbitro da Ass. Fut. Porto

Bruno Silva Ribeiro, árbitro da Ass. Fut. Porto

Bernardino Santos Silva, árbitro

Amílcar Brito, árbitro

António Batista da Silva, árbitro

Bruno Vicente, árbitro

Carlos Barbosa de Barros, árbitro da Ass. Fut. Porto

Daniel Soares Santos, árbitro da Ass. Fut. Porto

Vasco Costa Vilela, árbitro da Ass. Fut. Porto

José Carreira da Silva, árbitro

José Emílio Pereira Cardoso, árbitro

Jorge Filipe Marques, árbitro

Joaquim Assunção, árbitro da Ass. Fut. Aveiro

Aníbal Rodrigues Gonçalves, árbitro da Ass. Fut. Porto

António Jorge Silva Neiva, árbitro

Sérgio Teixeira de Jesus, árbitro da Ass. Fut. Porto

Valter Rufo, árbitro da Ass. Fut. Évora

Tomás Rodrigues dos Santos, árbitro

Sérgio Marques da Cunha, árbitro

Rui Manuel Dias, árbitro

Serafim Baía Nogueira, árbitro

José Augusto Pereira, árbitro

José Carlos Vicente, árbitro

José Gavinho Fernandes, árbitro

José Paulo Duarte Esteves, árbitro

Manuel Candeias Quadrado, árbitro

Ricardo Mesquita Moreira, árbitro

Artur Soares Dias, árbitro da Ass. Fut. Porto

Bruno Ribeiro da Costa, árbitro

António Pinto Miranda, árbitro da Ass. Fut. Porto

António Eustáquio , árbitro da Ass. Fut. Leiria

Augusto Duarte, árbitro da Ass. Fut. Braga

Bruno Monteiro Pereira, árbitro

Sérgio Pereira, árbitro da Ass. Fut. Porto

Rui Vieira Mendes, árbitro da Ass. Fut. Porto

Pedro Santos Moreira Maia, árbitro da Ass. Fut. Porto

Pedro Sanhudo, árbitro da Ass. Fut. Porto

Manuel Martins dos Santos, árbitro da Ass. Fut. Porto

Leonel da Silva Moreira, árbitro da ass. Fut. Porto

Carlos Jorge Amado, árbitro da Ass. Fut. Leiria

Eduardo Pereira da Silva Gaspar, árbitro

Fábio Pilo, árbitro

Cunha Machado, árbitro da Ass. Fut. Braga

Fausto Sousa Marques,árbitro

Fernando Valente, árbitro da Ass. Fut. Viana do Castelo

Francisco Vicente, árbitro da Ass. Fut. Vila Real

Lobato Quintino, árbitro

Francisco Correia Mendes, árbitro

Gonçalo Carvalho Pires, árbitro da Ass. Fut. Leiria

Hernâni Bastos Duarte, árbitro da Ass. Fut. Braga

João Andrade Almeida, árbitro da Ass. Fut. Porto

Hugo Campos Moreira, árbitro da Ass. Fut. Lisboa

Ivan Vigário, árbitro

Hélder Moreira de Carvalho, árbitro da Ass. Fut. Porto

Vladimiro Teixeira da Silva, árbitro

João da Silva Macedo, árbitro

Joaquim Madureira de Freitas, árbitro

Joaquim Paulo Paraty, árbitro da Ass. Fut. Porto

Jorge Saramago, árbitro da Ass. Fut. Aveiro

Jose António Pereira, árbitro da Ass. Fut. Aveiro

João Miguel Henriques, árbitro da Ass. Fut. Coimbra

Joaquim Fernandes Correia, árbitro

José Palma, árbitro da Ass. Fut. Setúbal

José Chilrito, árbitro

Lucílio Baptista, árbitro da ass. Fut. Setúbal

José Manuel Rodrigues, árbitro da Ass. Fut. Braga

José António Pereira, árbitro da Ass. Fut. Aveiro

Ludovico Areias, árbitro

Marco Bruno Ferreira, árbitro

José Maria Neto, árbitro

Licínio Santos, árbitro da Ass. Fut. Leiria

Mário Mendes, árbitro da Ass. Fut. Coimbra

Nuno Fraguito, árbitro

Miguel Santos Coelho, árbitro

Óscar Coutinho, árbitro

Paulo Moreira Luis, árbitro

Paulo Nobre, árbitro

Rangel Vicente Bernardo, árbitro

Ricardo Lemos Teixeira, árbitro

Rui Geraldes Fernandes, árbitro

Luís Reforço, árbitro da Ass. Fut. Setúbal

Rui Guedes Correia, árbitro

Pedro Viegas Ribeiro, árbitro

Luís Miguel Lameira, árbitro da Ass. Fut. Beja

Nuno Simões, árbitro

Patrik Pinto, árbitro

Nuno Santos Oliveira, árbitro

Paulo Pereira da Silva, árbitro da Ass. Fut. Algarve

Nuno Conceição, árbitro

Nuno Tavares de Almeida, árbitro

Nuno Borba, árbitro da Ass. Fut. Setúbal

Paulo Barbosa Pereira, árbitro da Ass. Fut. Viana do Castelo

Pedro Neca, árbitro

Paulo Lourenço Batista, árbitro da Ass. Fut. Viana do Castelo

Paulo Fernandes Pinheiro, árbitro da Ass. Fut. Coimbra

Roberto Castro Oliveira, árbitro

Rui Dias Russo, árbitro

Sérgio Sedas, árbitro da Ass. Fut. Leiria

Lícino Tavares, árbitro

António Perdigão da Silva, árbitro

Jorge Carvalho e Albuquerque, árbitro

Carlos Xistra, árbitro da Ass. Castelo Branco

Manuel Fernando Pinto Mendes, árbitro da ass. Fut. Lisboa

Rogério Santos Silva, árbitro

João Vilas Boas, árbitro da Ass. Fut. Braga

Rui Folha Oliveira, árbitro

Jacinto Paixão, árbitro da Ass. Fut. Évora

LUÍS GUILHERME SEM DÚVIDAS: 'POR ISSO DEFENDI AS NOMEAÇÕES'

Luís Guilherme, presidente da Comissão de Arbitragem da Liga de Futebol, mostrou-se algo surpreendido com a inclusão de alguns nomes de árbitros na lista dos que vão fazer parte da acusação do ‘Apito Dourado’, mas é até por isso que defende a nomeação.

“É também por isso que é importante a nomeação dos árbitros em vez do sorteio, porque temos que ter em atenção muitos factores, até pessoais, dos árbitros”, diz o responsável pela arbitragem das competições profissionais de futebol. “A gestão dos recursos que fazemos tem também isso em conta”, diz.

Curiosamente, o árbitro nomeado para o FC Porto-Estrela da primeira jornada, João Vilas Boas, também aparece na lista que hoje publicamos – e foi num jogo entre essas duas equipas que, segundo o ministério, se passaram factos que vão aparecer na acusação (o caso de Jacinto Paixão). “Nós estamos a lidar com seres humanos e temos que ter tudo em conta - diz Luís Guilherme. Mas não podemos deixar de nomear árbitros que não estejam sujeitos a medidas de coacção de que tenhamos sido informados oficialmente, como aconteceu com Augusto Duarte, por exemplo”, defende, porque caso contrário “esses actos podiam ser impugnados dentro da arbitragem”...

Luís Guilherme já sabia que Mário Graça também era arguido, “mas parece que são coisas indirectas, como telefonemas de outras pessoas”, pelo que entende que não há problema. Recorde-se que Júlio Mouco, o terceiro elemento da Comissão de Arbitragem da Liga à data dos factos em investigação foi mesmo obrigado a deixar esse cargo quando se soube que estava indiciado no processo do ‘Apito Dourado’.

Em relação a vários nomes de árbitros que hoje damos à estampa, o responsável da arbitragem avança “que houve conversas particulares de alguns árbitros comigo, em que se falou de várias dessas coisas”, mas não crê que todos eles lhe tivessem que contar se eram ou não arguidos. “O que eu julgava saber, do que li e do que me contaram e porque também fui ouvido como testemunha do processo, era que a maior parte das pessoas não iam ser acusadas e muitas delas só tinham sido colocadas como arguidas para ajudar a investigação. Que haveria aí cerca de 30 pessoas acusadas”, diz ainda.l

SOARES DIAS DIZ-SE 'SURPREENDIDO'

O árbitro Artur Soares Dias, do Porto, mostrou-se surpreendido por ser arguido no processo ‘Apito Dourado’.

“Não sei do que está a falar”, começou por afirmar Artur Soares Dias, acrescentando que “eu nem sequer sei se sou ou não arguido”.

Segundo o jovem árbitro, “para mim é uma surpresa eu ser arguido”.

O árbitro diz que “nunca fui ouvido como arguido no processo”, confirmando que “há uns tempos atrás chegou a estar prevista a minha ida à Polícia Judiciária do Porto”.

Entretanto, Devesa Neto, um dos árbitros auxiliares internacionais que constam do processo, confirmou ser arguido.

“É verdade que sou arguido, mas não acredito que possa ser acusado, porque além de saber o que faço, também sei tudo aquilo que se diz sobre mim no processo”, destacou Devesa Neto.

António Garrido, ex-árbitro internacional, mostrou-se confiante ao saber que não é arguido no caso ‘Apito Dourado’. “Eu já estava à espera de não ser arguido e, aliás, sempre disse que tinha sido ouvido como testemunha, apesar de nem toda a gente acreditar no que disse”, acrescentou o antigo árbitro internacional.

- VALENTIM DETIDO

A 20 de Abril de 2004, o País é surpreendido com as detenções de Valentim Loureiro, presidente da Liga, e Pinto de Sousa, presidente do Conselho de Arbitragem da FPF. Ambos são interrogados pela PJ, suspeitos, de tráfico de influências na arbitragem.

São também detidos para interrogatório outros membros do Conselho de Arbitragem: António Henriques (vice-presidente) Francisco Tavares Costa, Luís Nunes da Silva e Carlos Manuel Silva (todos vogais). A PJ detém também os árbitros José Rodrigues (Braga), Fernando Valente (Viana do Castelo), Jorge Saramago (Aveiro), Nuno Borba e Luís Reforço (Setúbal), António Eustáquio e Licínio Santos (Leiria) e Manuel Mendes (Lisboa) e o presidente do Gondomar José Luís Oliveira.

- 23 CRIMES

A 24 de Abril, quatro dias depois de ter sido detido, Valentim Loureiro é libertado, mediante caução de 250 mil euros, e é constituído arguido por 18 crimes de corrupção desportiva activa, um de corrupção passiva e quatro de tráfico de influência. O major fica proibido de contactar com os restantes arguidos e é suspenso do cargo de presidente da Liga e da Empresa do Metro do Porto. Pinto de Sousa é indiciado por 17 crimes de corrupção passiva para actos ilícitos.

- A VEZ DE PINTO DA COSTA

A 7 de Dezembro de 2004, o presidente do FC Porto, Pinto da Costa, é ouvido no Tribunal de Gondomar e sai sob caução de 125 mil euros indiciado pela prática de cinco crimes: dois de corrupção desportiva activa, dois de tráfico de influência na forma activa e um de falsificação de documentos qualificado sob a forma de cumplicidade e ficou também impedido de contactar outros seis arguidos como Valentim Loureiro, Pinto de Sousa, António Araújo, Augusto Duarte, Jacinto Paixão, José Chilrito e Manuel Quadrado. No entanto, a 7 de Julho deste ano, o tribunal da Relação anulou a proibição de Pinto da Costa contactar todos os co-arguidos e ainda reduziu a caução de 125 mil para 50 mil euros.

- AUTARCA DE LEIRIA

Já este ano, a 19 de Janeiro, a presidente da Câmara Municipal de Leiria, Isabel Damasceno, foi constituída arguida. A autarca, que é também presidente da distrital do PSD, prestou declarações na Polícia Judiciária (PJ), onde respondeu sobre as relações de amizade entre a sua filha e uma neta de Pinto de Sousa, presidente suspenso do conselho de arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol e também arguido no processo.

Pinto de Sousa, registe-se, é sócio de uma empresa do ramo automóvel em Leiria. Além de Isabel Damasceno, três árbitros da Associação de Futebol de Leiria foram também ouvidos no mesmo dia pelo Departamento de Investigação Criminal de Leiria da PJ.

- ESCUTAS VALIDADAS

Já quase no fim do mês de Agosto, ficou a saber-se que as escutas telefónicas da PJ a Pinto da Costa são válidas, de acordo com um acórdão do Tribunal da Relação do Porto.

O dirigente esperava que a Relação anulasse tais escutas, já que a juíza de instrução criminal, Ana Cláudia Nogueira, assumiu, num despacho, não ter ouvido as gravações transcritas pela Polícia Judiciária do Porto, por excesso de trabalho, porque acumulava a comarca de Gondomar com as de Valongo e da Maia. Mas a Relação do Porto não viu qualquer ilegalidade e por unanimidade considerou que as escutas telefónicas são válidas, pelo que continuarão no processo e servirão para fundamentar a acusação, a cargo do Ministério Público.

“Graças a Deus que o meu nome não está na lista de arguidos deste processo, isto apesar de a acusação não ter sido ainda tornada pública e de não ser oficialmente conhecida a lista dos arguidos. Há muito tempo que o meu desejo é o de que, definitivamente, seja feita luz sobre toda esta questão. Quero que tudo seja esclarecido rapidamente e que seja feita justiça para bem do futebol português”. Gilberto Madaíl, Presidente da FPF

“Estou completamente descansado e para dizer a verdade é para mim absolutamente indiferente ser arguido ou deixar de ser, pois estou de consciência tranquila. De resto, nem sei porque estou a ser acusado. Quantas pessoas são? 171? É um número bonito. Repito, tanto me faz ser arguido e acusado ou não ser. A não ser por um aspecto: tudo isto só serve para nos fazer gastar rios de dinheiro em advogados”. Carlos Carvalho - Presidente do CA da AF Porto

“Ressalvo que falo na qualidade de presidente demissionário da APAF (Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol), uma vez que apresentei a minha demissão, como é público. Apesar de a acusação não ser ainda conhecida, fico feliz por ver que o processo está a avançar. Enquanto representante dos árbitros e desportista quero que a investigação vá até ao fim, doa a quem doer, para que haja credibilidade nesta actividade”. Vítor Reis - Presidente demissionário da APAF

“Estou tranquilo porque isto não tem ponta por onde se lhe pegue. Querem apanhar o major e eu levei por tabela. Tudo por causa de eu ter querido fazer umas pequenas obras numa casa que tenho no Algarve, casa essa que já existe desde 1860. Tive uma conversa com o major em que falámos disso e só por causa disso fui envolvido neste caso. E continuo sem poder fazer as obras”. Sousa Cintra - Empresário

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