Há 171 arguidos

O CM publica a lista completa das 171 pessoas que vão aparecer na acusação do ‘Apito Dourado’. Há oito árbitros de 1.ª categoria, três assistentes internacionais e ainda o presidente do CA da FPF, Carlos Esteves.
02.09.05
  • partilhe
  • 8
  • +
Há 171 arguidos
Carlos Xistra, Lucílio Batista, Pinto da Costa, Sousa Cintra, Isabel Damasceno e Valentim Loureiro são os ‘ilustres’ deste megaprocesso Foto cm
A acusação do processo ‘Apito Dourado’ será deduzida nos próximos dias e inclui, entre 171 arguidos por alegados crimes de corrupção no futebol, para além de Pinto da Costa e Valentim Loureiro, o presidente da Naval 1.º de Maio, Aprigio Santos, bem como dezenas de árbitros, oito dos quais actualmente da primeira categoria nacional.
João Vilas Boas (Braga), Carlos Xistra (Castelo Branco), Cosme Machado (Braga) são nomes de árbitros de topo que ainda não eram conhecidos como arguidos neste megaprocesso, tal como Mário Mendes, que se retirou há pouco. Carlos Esteves, o único elemento do CA da FPF que não foi incluído na lista inicial faz, afinal, parte dos arguidos e vai ser acusado. Estes nomes juntam-se aos já conhecidos, como Jacinto Paixão e os internacionais Paulo Paraty e Lucílio Batista, além de Artur Soares Dias e Paulo Pereira. Há ainda três árbitros assistentes internacionais – António Perdigão, Devesa Neto e Serafim Nogueira, todos do Porto.
Com a divulgação integral desta lista, o Correio da Manhã esclarece finalmente quem é arguido e quem não é. O procurador de Gondomar, Carlos Teixeira, deverá ter a acusação pronta antes das eleições autárquicas. Valentim Loureiro (Gondomar), Isabel Damasceno (Leiria) e Avelino Ferreira Torres (Amarante) são candidatos à presidência das respectivas Câmara.
Entre vários nomes novos está o de Cosme Machado, de Famalicão (AF Braga), agora na primeira categoria, e que apitou o Gondomar-Dragões Sandinenses que, poucos dias depois do início da operação ‘Apito Dourado’, decidiu a subida dos gondomarenses à Liga de Honra.
António Araújo, o empresário ligado ao FC Porto, é um dos principais arguidos por corrupção.
Ao todo estão 110 árbitros de futebol, 27 dirigentes de clubes, um empresário de futebol (António Araújo), três empresários (entre os quais Sousa Cintra), todos os elementos do Conselho de Arbitragem da FPF, dois dos três vogais da Comissão de Arbitragem (Júlio Mouco e Mário Graça – a excepção é Luís Guilherme) e vinte observadores da arbitragem, a maioria dos quais da FPF.
Da Liga são ainda arguidos António Rodrigues da Silva, Fernando Mateus e Pinto Correia.
O presidente do Conselho de Arbitragem da AF Porto, Carlos Carvalho, também está na lista e terá beneficiado o Sousense, de Gondomar e terra de José Luís Oliveira, que foi o único arguido preso preventivamente. São ainda arguidos dois dirigentes do Sousense, Agostinho Silva e Américo Neves.
Confirmam-se entretanto os nomes dos autarcas Valentim Loureiro, Isabel Damasceno e Avelino Ferreira Torres, do ex-presidente do Sporting, Sousa Cintra, e dos empreiteiros Alberto Couto Alves e Joaquim Camilo, este último construiu em terrenos anexos aos estádios do Bessa e Dragão.
Os presidentes do Boavista, da União de Leiria, do Nacional e do Paços de Ferreira, João Loureiro, João Bartolomeu, Rui Alves e Hernâni Silva, figuram no libelo acusatório.
O procurador Carlos Teixeira entende ter prova suficiente para acusar os dirigentes e árbitros, já que além de 19 telemóveis sob escuta foram fotografados e filmados encontros comprometedores entre alguns arguidos.
A lista de 171 arguidos, à qual o CM teve acesso, refere-se à corrupção no futebol, tendo sido enviadas certidões, relativamente à eventual corrupção de magistrados, ao Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) do Ministério Público, em Lisboa.
LISTA DE VALENTIM INCLUI OLIVEIRA E CASTRO NEVES
Valentim Loureiro é naturalmente um dos dirigentes mais importantes que aparece na lista do processo. O presidente da Liga e da Câmara Municipal de Gondomar é outra vez candidato a esta autarquia, como lista independente o que lhe valeu mesmo um processo de expulsão do seu partido, o PSD.
José Luís Silva Oliveira, que esteve preso cerca de oito meses no âmbito do processo ‘Apito Dourado’ – foi mesmo o único arguido que esteve preso – mantém-se como nº. 2 da lista, tal como já era em 2001 assumindo a vice-presidência da autarquia, enquanto Joaquim Manuel Moura Castro Neves, que há quatro anos era apenas suplente, passou entretanto a vereador com o pelouro do Ambiente e aparece agora em sexto lugar.
Nas últimas eleições, recorde-se, a lista do PSD encabeçada por Valentim Loureiro conseguiu eleger exactamente seis vereadores e admite-se que agora os resultados sejam idênticos, apesar da candidatura do PSD poder retirar-lhe alguns votos.
CARLOS ESTEVES IMPLICADO
Carlos Esteves é um dos nomes que surpreende na lista de arguidos do ‘Apito Dourado’. Contactado pelo CM, o actual presidente do Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol, garante que já sabia.
“Fui chamado à PJ, salvo erro em Março, e informaram-me que seria constituído arguido pelo facto de pertencer ao CA e por causa de uma chamada telefónica com Pinto de Sousa”, afirmou, sublinhando desconhecer o teor do telefonema em causa. Esteves era o único membro do CA liderado por Pinto de Sousa que não tinha ainda sido envolvido no Apito Dourado.
Recorde-se que, depois de a juíza Ana Cláudia Nogueira, do Tribunal de Gondomar, ter imposto a Pinto de Sousa a suspensão da sua actividade Carlos Esteves acabou por assumir a liderança do CA.
Questionado pelo CM sobre o facto de muitos árbitros que são arguidos irem dirigir jogos esta época, afirmou: “À excepção de Jacinto Paixão, já foi levantada a medida de coacção que impedia alguns árbitros de dirigir jogos. O CA não vai impedir esses árbitros de apitar. Mas se forem condenados a justiça desportiva terá de actuar”.
OUTROS CASOS
PEQUENOS CLUBES
Clubes como o Anadia, o Rebordosa, o Amarante, Vizela, Valenciano, Vilaverdense, Lixa, Cinfães, Machico, Santana e até o pequenino Sport Club Progresso (da cidade do Porto) nunca tinham sido referidos na Imprensa, mas há nomes de dirigentes seus que também estão na lista e vão aparecer entre as surpresas do processo.
METRO DO PORTO
Em relação ao caso da Empresa do Metro do Porto, a investigação voltou para a Polícia Judiciária, mas o CM soube de fonte ligada ao processo que nada de comprometedor se terá apurado, havendo já poucas certezas em relação ao processo autónomo, aberto no Ministério Público de Gondomar. Ou seja, em princípio a EMP, de que Valentim Loureiro também era e continua a ser presidente, sairá sem acusações de todo este imbróglio.
A LISTA DE TODOS OS ENVOLVIDOS
27 dirigentes de clubes, 110 árbitros de futebol, 28 dirigentes federativos e da Liga, dois autarcas e quatro empresários são os visados neste megaprocesso.
DIRIGENTES DE CLUBES
Pinto da Costa, pres. FC Porto
João Loureiro, pres. Boavista
João Alberto Bartolomeu, pres. U. Desp. Leiria
Fernando Sousa Melo, Dirigente do Penafiel
Hernâni da Silva Moreira, pres. Paços Ferreira
Rui Alves, pres. CD Nacional
Agostinho Duarte da Silva, Dirigente Sousense
Américo Manuel Sousa Neves, Dirigente Sousense
António Augusto Pinto, Dirigente Anadia
António Freitas Candelária, Dirigente U. Desp. Santana
Benjamim Castro, Dirigente FC Vizela
David Alves Rodrigues, Dirigente Vilaverdense
Artur Pinheiro Azevedo, Dirigente Amarante FC
Artur Leite Mesquita, Dirigente FC Lixa
Aprígio Ferreira dos Santos, Dirigente Ass. Desp. Naval
Francisco da Silva Borges, Dirigente Sport Clube Lusitânia
Joaquim Castro Neves, Dirigente Gondomarense
Manuel Simão Ribeiro, Dirigente Penafiel
Pedro Miguel Ferreira, Dirigente Ass. Desp. Naval 1.º Maio
Paulo Rodrigues, Dirigente Sport Clube ValencianÕ
Joaquim Barbosa, Dirigente Rebordosa
José Luís Oliveira, Dirigente Gondomarense
Silva Reis, Dirigente FC Marco
António da Silva Veiga, Dirigente Estoril Praia
José Manuel Melo, Dirigente Machico
António Soares de Almeida, Dirigente Progresso
Jorge Manuel Ferreira, Dirigente Cinfães
AUTARCAS
Isabel Damasceno, pres. CM Leiria
Ferreira Torres, pres. CM Marco de Canaveses
EMPRESÁRIOS
Alberto Couto Alves, Empresário
Sousa Cintra, Empresário
Joaquim Camilo da Silva, Empresário
António Araújo, Empresário
DIRIGENTES DA LIGA E FPF
Valentim Loureiro, pres. Liga
António Azevedo Duarte, FPF
António Silva Henriques, FPF
Carlos Fonseca Esteves, FPF
Ezequiel Feijão, FPF
Francisco Costa, FPF
António Teixeira Bernardo, FPF
Carlos Olegário, FPF
Carlos Manuel Silva, FPF
Carlos Fernandes Pinto, FPF
Francisco Lopes Ferreira, FPF
João Penicho, FPF
Joaquim Almeida Soares, FPF
José Miguel Mendonça, FPF
João Soares Mesquita, FPF
José António Pinto de Sousa, FPF
Luís Nunes da Silva, FPF
Manuel Nabais, FPF
Paulo Pita da Silva, FPF
Manuel Barbosa da Cunha, FPF
Paulo Porto Gonçalves, FPF
Teresa Barroso Faria, FPF
António Rodrigues da Silva, LPFP
Fernando Santos Mateus, LPFP
João Pinto Correia, LPFP
Júlio Paiva Mouco , LPFP
Mário Borges Graça, LPFP
Carlos Carvalho, Pres. do Conselho de Arbitragem da Ass. Fut. Porto
ÁRBITROS
Domingues Narciso, árbitro
Costa Freire, árbitro
Belarmino Aleixo, árbitro da Ass. Fut. Porto
Bruno Silva Ribeiro, árbitro da Ass. Fut. Porto
Bernardino Santos Silva, árbitro
Amílcar Brito, árbitro
António Batista da Silva, árbitro
Bruno Vicente, árbitro
Carlos Barbosa de Barros, árbitro da Ass. Fut. Porto
Daniel Soares Santos, árbitro da Ass. Fut. Porto
Vasco Costa Vilela, árbitro da Ass. Fut. Porto
José Carreira da Silva, árbitro
José Emílio Pereira Cardoso, árbitro
Jorge Filipe Marques, árbitro
Joaquim Assunção, árbitro da Ass. Fut. Aveiro
Aníbal Rodrigues Gonçalves, árbitro da Ass. Fut. Porto
António Jorge Silva Neiva, árbitro
Sérgio Teixeira de Jesus, árbitro da Ass. Fut. Porto
Valter Rufo, árbitro da Ass. Fut. Évora
Tomás Rodrigues dos Santos, árbitro
Sérgio Marques da Cunha, árbitro
Rui Manuel Dias, árbitro
Serafim Baía Nogueira, árbitro
José Augusto Pereira, árbitro
José Carlos Vicente, árbitro
José Gavinho Fernandes, árbitro
José Paulo Duarte Esteves, árbitro
Manuel Candeias Quadrado, árbitro
Ricardo Mesquita Moreira, árbitro
Artur Soares Dias, árbitro da Ass. Fut. Porto
Bruno Ribeiro da Costa, árbitro
António Pinto Miranda, árbitro da Ass. Fut. Porto
António Eustáquio , árbitro da Ass. Fut. Leiria
Augusto Duarte, árbitro da Ass. Fut. Braga
Bruno Monteiro Pereira, árbitro
Sérgio Pereira, árbitro da Ass. Fut. Porto
Rui Vieira Mendes, árbitro da Ass. Fut. Porto
Pedro Santos Moreira Maia, árbitro da Ass. Fut. Porto
Pedro Sanhudo, árbitro da Ass. Fut. Porto
Manuel Martins dos Santos, árbitro da Ass. Fut. Porto
Leonel da Silva Moreira, árbitro da ass. Fut. Porto
Carlos Jorge Amado, árbitro da Ass. Fut. Leiria
Eduardo Pereira da Silva Gaspar, árbitro
Fábio Pilo, árbitro
Cunha Machado, árbitro da Ass. Fut. Braga
Fausto Sousa Marques,árbitro
Fernando Valente, árbitro da Ass. Fut. Viana do Castelo
Francisco Vicente, árbitro da Ass. Fut. Vila Real
Lobato Quintino, árbitro
Francisco Correia Mendes, árbitro
Gonçalo Carvalho Pires, árbitro da Ass. Fut. Leiria
Hernâni Bastos Duarte, árbitro da Ass. Fut. Braga
João Andrade Almeida, árbitro da Ass. Fut. Porto
Hugo Campos Moreira, árbitro da Ass. Fut. Lisboa
Ivan Vigário, árbitro
Hélder Moreira de Carvalho, árbitro da Ass. Fut. Porto
Vladimiro Teixeira da Silva, árbitro
João da Silva Macedo, árbitro
Joaquim Madureira de Freitas, árbitro
Joaquim Paulo Paraty, árbitro da Ass. Fut. Porto
Jorge Saramago, árbitro da Ass. Fut. Aveiro
Jose António Pereira, árbitro da Ass. Fut. Aveiro
João Miguel Henriques, árbitro da Ass. Fut. Coimbra
Joaquim Fernandes Correia, árbitro
José Palma, árbitro da Ass. Fut. Setúbal
José Chilrito, árbitro
Lucílio Baptista, árbitro da ass. Fut. Setúbal
José Manuel Rodrigues, árbitro da Ass. Fut. Braga
José António Pereira, árbitro da Ass. Fut. Aveiro
Ludovico Areias, árbitro
Marco Bruno Ferreira, árbitro
José Maria Neto, árbitro
Licínio Santos, árbitro da Ass. Fut. Leiria
Mário Mendes, árbitro da Ass. Fut. Coimbra
Nuno Fraguito, árbitro
Miguel Santos Coelho, árbitro
Óscar Coutinho, árbitro
Paulo Moreira Luis, árbitro
Paulo Nobre, árbitro
Rangel Vicente Bernardo, árbitro
Ricardo Lemos Teixeira, árbitro
Rui Geraldes Fernandes, árbitro
Luís Reforço, árbitro da Ass. Fut. Setúbal
Rui Guedes Correia, árbitro
Pedro Viegas Ribeiro, árbitro
Luís Miguel Lameira, árbitro da Ass. Fut. Beja
Nuno Simões, árbitro
Patrik Pinto, árbitro
Nuno Santos Oliveira, árbitro
Paulo Pereira da Silva, árbitro da Ass. Fut. Algarve
Nuno Conceição, árbitro
Nuno Tavares de Almeida, árbitro
Nuno Borba, árbitro da Ass. Fut. Setúbal
Paulo Barbosa Pereira, árbitro da Ass. Fut. Viana do Castelo
Pedro Neca, árbitro
Paulo Lourenço Batista, árbitro da Ass. Fut. Viana do Castelo
Paulo Fernandes Pinheiro, árbitro da Ass. Fut. Coimbra
Roberto Castro Oliveira, árbitro
Rui Dias Russo, árbitro
Sérgio Sedas, árbitro da Ass. Fut. Leiria
Lícino Tavares, árbitro
António Perdigão da Silva, árbitro
Jorge Carvalho e Albuquerque, árbitro
Carlos Xistra, árbitro da Ass. Castelo Branco
Manuel Fernando Pinto Mendes, árbitro da ass. Fut. Lisboa
Rogério Santos Silva, árbitro
João Vilas Boas, árbitro da Ass. Fut. Braga
Rui Folha Oliveira, árbitro
Jacinto Paixão, árbitro da Ass. Fut. Évora
LUÍS GUILHERME SEM DÚVIDAS: 'POR ISSO DEFENDI AS NOMEAÇÕES'
Luís Guilherme, presidente da Comissão de Arbitragem da Liga de Futebol, mostrou-se algo surpreendido com a inclusão de alguns nomes de árbitros na lista dos que vão fazer parte da acusação do ‘Apito Dourado’, mas é até por isso que defende a nomeação.
“É também por isso que é importante a nomeação dos árbitros em vez do sorteio, porque temos que ter em atenção muitos factores, até pessoais, dos árbitros”, diz o responsável pela arbitragem das competições profissionais de futebol. “A gestão dos recursos que fazemos tem também isso em conta”, diz.
Curiosamente, o árbitro nomeado para o FC Porto-Estrela da primeira jornada, João Vilas Boas, também aparece na lista que hoje publicamos – e foi num jogo entre essas duas equipas que, segundo o ministério, se passaram factos que vão aparecer na acusação (o caso de Jacinto Paixão). “Nós estamos a lidar com seres humanos e temos que ter tudo em conta - diz Luís Guilherme. Mas não podemos deixar de nomear árbitros que não estejam sujeitos a medidas de coacção de que tenhamos sido informados oficialmente, como aconteceu com Augusto Duarte, por exemplo”, defende, porque caso contrário “esses actos podiam ser impugnados dentro da arbitragem”...
Luís Guilherme já sabia que Mário Graça também era arguido, “mas parece que são coisas indirectas, como telefonemas de outras pessoas”, pelo que entende que não há problema. Recorde-se que Júlio Mouco, o terceiro elemento da Comissão de Arbitragem da Liga à data dos factos em investigação foi mesmo obrigado a deixar esse cargo quando se soube que estava indiciado no processo do ‘Apito Dourado’.
Em relação a vários nomes de árbitros que hoje damos à estampa, o responsável da arbitragem avança “que houve conversas particulares de alguns árbitros comigo, em que se falou de várias dessas coisas”, mas não crê que todos eles lhe tivessem que contar se eram ou não arguidos. “O que eu julgava saber, do que li e do que me contaram e porque também fui ouvido como testemunha do processo, era que a maior parte das pessoas não iam ser acusadas e muitas delas só tinham sido colocadas como arguidas para ajudar a investigação. Que haveria aí cerca de 30 pessoas acusadas”, diz ainda.l
SOARES DIAS DIZ-SE 'SURPREENDIDO'
O árbitro Artur Soares Dias, do Porto, mostrou-se surpreendido por ser arguido no processo ‘Apito Dourado’.
“Não sei do que está a falar”, começou por afirmar Artur Soares Dias, acrescentando que “eu nem sequer sei se sou ou não arguido”.
Segundo o jovem árbitro, “para mim é uma surpresa eu ser arguido”.
O árbitro diz que “nunca fui ouvido como arguido no processo”, confirmando que “há uns tempos atrás chegou a estar prevista a minha ida à Polícia Judiciária do Porto”.
Entretanto, Devesa Neto, um dos árbitros auxiliares internacionais que constam do processo, confirmou ser arguido.
“É verdade que sou arguido, mas não acredito que possa ser acusado, porque além de saber o que faço, também sei tudo aquilo que se diz sobre mim no processo”, destacou Devesa Neto.
António Garrido, ex-árbitro internacional, mostrou-se confiante ao saber que não é arguido no caso ‘Apito Dourado’. “Eu já estava à espera de não ser arguido e, aliás, sempre disse que tinha sido ouvido como testemunha, apesar de nem toda a gente acreditar no que disse”, acrescentou o antigo árbitro internacional.
CRONOLOGIA
- VALENTIM DETIDO
A 20 de Abril de 2004, o País é surpreendido com as detenções de Valentim Loureiro, presidente da Liga, e Pinto de Sousa, presidente do Conselho de Arbitragem da FPF. Ambos são interrogados pela PJ, suspeitos, de tráfico de influências na arbitragem.
São também detidos para interrogatório outros membros do Conselho de Arbitragem: António Henriques (vice-presidente) Francisco Tavares Costa, Luís Nunes da Silva e Carlos Manuel Silva (todos vogais). A PJ detém também os árbitros José Rodrigues (Braga), Fernando Valente (Viana do Castelo), Jorge Saramago (Aveiro), Nuno Borba e Luís Reforço (Setúbal), António Eustáquio e Licínio Santos (Leiria) e Manuel Mendes (Lisboa) e o presidente do Gondomar José Luís Oliveira.
- 23 CRIMES
A 24 de Abril, quatro dias depois de ter sido detido, Valentim Loureiro é libertado, mediante caução de 250 mil euros, e é constituído arguido por 18 crimes de corrupção desportiva activa, um de corrupção passiva e quatro de tráfico de influência. O major fica proibido de contactar com os restantes arguidos e é suspenso do cargo de presidente da Liga e da Empresa do Metro do Porto. Pinto de Sousa é indiciado por 17 crimes de corrupção passiva para actos ilícitos.
- A VEZ DE PINTO DA COSTA
A 7 de Dezembro de 2004, o presidente do FC Porto, Pinto da Costa, é ouvido no Tribunal de Gondomar e sai sob caução de 125 mil euros indiciado pela prática de cinco crimes: dois de corrupção desportiva activa, dois de tráfico de influência na forma activa e um de falsificação de documentos qualificado sob a forma de cumplicidade e ficou também impedido de contactar outros seis arguidos como Valentim Loureiro, Pinto de Sousa, António Araújo, Augusto Duarte, Jacinto Paixão, José Chilrito e Manuel Quadrado. No entanto, a 7 de Julho deste ano, o tribunal da Relação anulou a proibição de Pinto da Costa contactar todos os co-arguidos e ainda reduziu a caução de 125 mil para 50 mil euros.
- AUTARCA DE LEIRIA
Já este ano, a 19 de Janeiro, a presidente da Câmara Municipal de Leiria, Isabel Damasceno, foi constituída arguida. A autarca, que é também presidente da distrital do PSD, prestou declarações na Polícia Judiciária (PJ), onde respondeu sobre as relações de amizade entre a sua filha e uma neta de Pinto de Sousa, presidente suspenso do conselho de arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol e também arguido no processo.
Pinto de Sousa, registe-se, é sócio de uma empresa do ramo automóvel em Leiria. Além de Isabel Damasceno, três árbitros da Associação de Futebol de Leiria foram também ouvidos no mesmo dia pelo Departamento de Investigação Criminal de Leiria da PJ.
- ESCUTAS VALIDADAS
Já quase no fim do mês de Agosto, ficou a saber-se que as escutas telefónicas da PJ a Pinto da Costa são válidas, de acordo com um acórdão do Tribunal da Relação do Porto.
O dirigente esperava que a Relação anulasse tais escutas, já que a juíza de instrução criminal, Ana Cláudia Nogueira, assumiu, num despacho, não ter ouvido as gravações transcritas pela Polícia Judiciária do Porto, por excesso de trabalho, porque acumulava a comarca de Gondomar com as de Valongo e da Maia. Mas a Relação do Porto não viu qualquer ilegalidade e por unanimidade considerou que as escutas telefónicas são válidas, pelo que continuarão no processo e servirão para fundamentar a acusação, a cargo do Ministério Público.
REACÇÕES
“Graças a Deus que o meu nome não está na lista de arguidos deste processo, isto apesar de a acusação não ter sido ainda tornada pública e de não ser oficialmente conhecida a lista dos arguidos. Há muito tempo que o meu desejo é o de que, definitivamente, seja feita luz sobre toda esta questão. Quero que tudo seja esclarecido rapidamente e que seja feita justiça para bem do futebol português”. Gilberto Madaíl, Presidente da FPF
“Estou completamente descansado e para dizer a verdade é para mim absolutamente indiferente ser arguido ou deixar de ser, pois estou de consciência tranquila. De resto, nem sei porque estou a ser acusado. Quantas pessoas são? 171? É um número bonito. Repito, tanto me faz ser arguido e acusado ou não ser. A não ser por um aspecto: tudo isto só serve para nos fazer gastar rios de dinheiro em advogados”. Carlos Carvalho - Presidente do CA da AF Porto
“Ressalvo que falo na qualidade de presidente demissionário da APAF (Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol), uma vez que apresentei a minha demissão, como é público. Apesar de a acusação não ser ainda conhecida, fico feliz por ver que o processo está a avançar. Enquanto representante dos árbitros e desportista quero que a investigação vá até ao fim, doa a quem doer, para que haja credibilidade nesta actividade”. Vítor Reis - Presidente demissionário da APAF
“Estou tranquilo porque isto não tem ponta por onde se lhe pegue. Querem apanhar o major e eu levei por tabela. Tudo por causa de eu ter querido fazer umas pequenas obras numa casa que tenho no Algarve, casa essa que já existe desde 1860. Tive uma conversa com o major em que falámos disso e só por causa disso fui envolvido neste caso. E continuo sem poder fazer as obras”. Sousa Cintra - Empresário

pub

pub

Ver todos os comentários
Para comentar tem de ser utilizador registado, se já é faça
Caso ainda não o seja, clique no link e registe-se em 30 segundos. Participe, a sua opinião é importante!