Na primeira visita do ministro iraniano à China desde o início do conflito, em fevereiro passado, o diplomata chinês afirmou que a declaração de um cessar-fogo é "necessária e inevitável".
O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, disse esta quarta-feira, em Pequim, ao seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi, que a guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão é "ilegítima".
Na primeira visita do ministro iraniano à China desde o início do conflito, em fevereiro passado, o diplomata chinês afirmou que a declaração de um cessar-fogo é "necessária e inevitável", indicou a agência iraniana Tasnim.
Wang garantiu ainda que a região se encontra num "ponto de inflexão decisivo", durante o encontro, realizado uma semana antes da visita do Presidente norte-americano, Donald Trump, à China.
Pequim tem condenado repetidamente os ataques contra o Irão e pedido um cessar-fogo no Médio Oriente, assim como a livre navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde transitam cerca de 45% das importações chinesas de petróleo e gás.
O Governo chinês avisou recentemente, através do seu embaixador junto das Nações Unidas, Fu Cong, que a situação em torno do Estreito de Ormuz marcaria a agenda da visita de Trump caso a via permanecesse bloqueada por Washington e Teerão.
"Estamos dispostos a continuar os nossos esforços para reduzir as tensões", explicou agora o chefe da diplomacia chinesa, sublinhando a importância de "reuniões diretas entre ambas as partes".
Aragchi valorizou a "postura firme" da China, "especialmente na condenação aos Estados Unidos e Israel", segundo a agência Tasnim.
O diplomata iraniano afirmou ainda que Pequim é "uma amiga sincera" de Teerão e declarou que, "nas atuais circunstâncias, a cooperação entre os dois países será mais sólida do que nunca".
A visita ocorre após o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ter garantido na terça-feira que a ofensiva lançada a 28 de fevereiro contra o Irão "terminou" e que se abriu uma nova fase com uma operação "defensiva", destinada a facilitar a navegação por Ormuz.
O conflito já aumentou de forma direta os custos energéticos e logísticos na China, obrigando as autoridades a intervir temporariamente para limitar a subida interna dos combustíveis.
O encontro desta quarta-feira insere-se ainda num contexto de uma relação bilateral reforçada nos últimos anos.
Pequim e Teerão assinaram em 2021 um acordo de cooperação estratégica de 25 anos, que estabelece um quadro de colaboração nos domínios económico, tecnológico, energético e de segurança, enquanto a China continua a ser o principal parceiro comercial do Irão e um dos principais destinos do seu crude.
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