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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Jornalista dos Papéis do Panamá morre em explosão de carro bomba

Daphne Galizia já tinha denunciado às autoridades locais que estava a ser alvo de ameaças de morte.

17 de outubro de 2017 às 10:52

Daphne Caruana Galizia, jornalista que liderava a investigação dos Papéis do Panamá em Malta, foi assassinada esta segunda-feira, 16 de outubro. O carro onde circulava, um Peugeot 108, continha uma bomba que explodiu e matou a jornalista, segundo conta o jornal britânico The Guardian.Daphne, de 53 anos, tinha acabado de sair de casa, na cidade de Mosta, perto da capital de Malta.  

A jornalista maltesa era ainda autora de um blogue que denunciava casos de corrupção que envolviam políticos. Uma das investigações mais recentes era sobre o primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, a sua mulher e outros membros do Governo. Segundo as investigações feitas, o casal utilizava offshores para esconder pagamentos ao Governo do Azerbaijão. Joseph Muscat 

O dirigente de Malta diz não ter dúvidas de que a morte de Daphne Galizia está relacionada com as investigações sobre o Governo que a jornalista vinha a fazer. "O que aconteceu hoje não foi um crime comum. Isto é a consequência do total colapso do Estado de direito no país, que se tem verificado nos últimos quatro anos", segundo o The Guardian. 

Há quinze dias, DaphneGalizia já tinha denunciado às autoridades locais que estava a ser alvo de ameaças de morte.

As autoridades em Malta abriram já uma investigação criminal e pediram a ajuda internacional do FBI.

Comissão Europeia "horrorizada" com assassínio de jornalista

"Estamos horrorizados com o facto de uma jornalista bem conhecida e respeitada - Daphne Caruana Galizia -- ter perdido ontem a vida no que foi aparentemente um ataque com um alvo específico", declarou o porta-voz do executivo comunitário, Margaritis Schinas.

"Foi um ato escandaloso e o que conta agora é que seja feita justiça", acrescentou, lembrando que a vítima "foi uma pioneira do jornalismo de investigação em Malta".

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