Líder da oposição venezuelana defendeu ainda uma atualização dos cadernos eleitorais.
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, apelou esta terça-feira à convocação de eleições "o mais rapidamente possível" na Venezuela, após o ministro do Interior do país ter rejeitado essa possibilidade para os próximos tempos.
A Nobel da Paz (2025) defendeu que a convocação de eleições não significaria que fossem organizadas de imediato, explicando que, numa primeira fase, deveria ser nomeado um novo Conselho Nacional Eleitoral, composto por pessoas sem "afiliação política".
Corina Machado defendeu ainda uma atualização dos cadernos eleitorais, uma vez que "40% dos venezuelanos em idade de votar não estão inscritos", nomeadamente para aqueles que abandonaram o país.
"Tudo isto leva tempo e estimamos que, a partir do momento em que um novo Conselho Nacional Eleitoral for nomeado, sejam necessários cerca de nove meses para implementar todas estas medidas", precisou durante uma entrevista à agência de notícias France-Presse (AFP) por videoconferência em Paris, onde se reuniu na segunda-feira com o Presidente francês, Emmanuel Macron.
Para o ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, as eleições ocorrerão quando tiverem de ocorrer, deixando claro que quando forem convocadas serão vencidas pelo chavismo (a corrente política inspirada pelas ideias do antigo líder venezuelano Hugo Chávez).
"Agora [os opositores] andam [a pedir] eleições já. As eleições serão quando forem e, nesse dia, as forças revolucionárias estarão preparadas para vencer, como sempre vencemos", disse o também secretário-geral do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) na segunda-feira.
Cabello acusou, sem citar nomes, pessoas beneficiadas pela amnistia aprovada em fevereiro de fazerem "apelos e convocatórias para gerar violência".
María Corina Machado, que saiu de forma clandestina da Venezuela em dezembro passado para receber o Prémio Nobel da Paz em Oslo, reafirmou que deseja regressar ao país.
A laureada garantiu que regressaria "em breve" ao seu país, sem querer avançar uma data concreta, afirmando que ainda tinha "objetivos a alcançar", nomeadamente encontros com a diáspora, "potenciais investidores" e líderes políticos.
"A Venezuela produz hoje cerca de um milhão de barris de petróleo por dia", mas "poderia produzir cinco ou seis milhões" diariamente, estimou Corina Machado.
Para atingir esse nível de produção, é necessário "um processo eleitoral do qual surjam autoridades legítimas", bem como "um quadro jurídico fiável" para os investimentos, acrescentou.
A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, com mais de 303 mil milhões de barris, mas a sua produção continua a ser limitada.
Depois da captura do ex-presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em janeiro, Washington emitiu licenças para que algumas petrolíferas estrangeiras pudessem explorar o petróleo venezuelano, possibilitada pela aprovação de uma reforma do Governo de Caracas no âmbito dos hidrocarbonetos, que abriu o setor ao investimento privado e estrangeiro.
Uma dessas empresas, a norte-americana Chevron, anunciou na segunda-feira uma troca de licenças com a petrolífera estatal venezuelana PDVSA, permitindo-lhe alargar o seu acesso às imensas reservas de petróleo do país.
A administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, procura incentivar as empresas norte-americanas a envolverem-se no país, suscitando, no entanto, reações mistas face aos avultados investimentos necessários para reabilitar as infraestruturas venezuelanas.
O secretário da Energia norte-americano, Chris Wright, afirmou também na segunda-feira que, desde a captura e detenção de Maduro, foram vendidos pelo menos 150 milhões de barris de petróleo venezuelano.
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