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Preso por negar Holocausto

O polémico historiador e escritor britânico David Irving foi ontem condenado a três anos de prisão por ter negado o Holocausto, apesar de ter admitido no julgamento, em Viena, que estava errado quando afirmou que não existiram câmaras de gás em Auschwitz.

21 de fevereiro de 2006 às 00:00

“Cometi um erro ao afirmar que não existiam câmaras de gás em Ausch-witz”, declarou Irving. Contudo, o arguido refutou a acusação de alguma vez ter negado o assassínio de milhões de pessoas pelos nazis e considerou “ridículo” responder por declarações que proferiu em 1989.

Irving, de 67 anos, compareceu em tribunal levando na mão um dos seus mais controversos livros – ‘A guerra de Hitler’ (1977) –, em que contesta a existência do Holocausto e considera que Hitler era “amigo dos judeus”.

Ontem, Irving afirmou que a “História é como uma árvore, constantemente em mudança”, e manifestou pesar “por todas as pessoas inocentes que morreram durante a II Guerra Mundial”.

Mas o procurador do Ministério Público, Michael Klackl, considerou que Irving “é tudo menos historiador, é um ambicioso falsificador da História”, já que afirmou que durante o nazismo houve crimes isolados e que a maioria das vítimas nos campos de concentração morreram por causas naturais.

Irving, detido em Novembro de 2005 na Áustria, depois de há 17 anos ter negado a existência do Holocausto e o extermínio de mais de seis milhões de judeus, foi ontem condenado a uma pe-na de três anos de prisão.

PORTUGUESES AO LADO DE IRVING

Tal como Irving, também há portugueses com posições consideradas polémicas relativamente ao Holocausto. Por exemplo, para o jornalista Eurico de Barros, que chegou mesmo a trocar correio electrónico com o próprio Irving, “nenhum assunto deve ser tabu no que se refere à investigação histórica e este tornou-se numa espécie de tabu religioso.

É impossível investigar sobre ele. Quem se atreve a pôr em questão o Holocausto, é perseguido e são-lhe tirados os meios de subsistência”. “Este caso é muito grave, é um caso de censura”, acrescentou Eurico de Barros, que não acredita que o Holocausto tenha feito seis milhões de mortos. “Nunca fui nazi. Muitos historiadores de esquerda põem em causa o Holocausto”, comentou. Já o empresário e advogado Silva Resende considera que “há um exagero” quanto ao Holocausto, que foi “sobreavaliado”. Mais peremptório, Mário Machado, líder da Frente Nacional, declarou: “Não acreditamos no Holocausto. O bombardeamento de Dresden foi o único Holocausto.

Irving negou porque não queria ficar preso.” Já José Pinto Coelho, presidente do Partido Nacional Renovador, preferiu não se pronunciar sobre o assunto, porque considera que “não há liberdade de expressão”, mas admite eventuais “pressões” sobre Irving.

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