O polémico historiador e escritor britânico David Irving foi ontem condenado a três anos de prisão por ter negado o Holocausto, apesar de ter admitido no julgamento, em Viena, que estava errado quando afirmou que não existiram câmaras de gás em Auschwitz.
“Cometi um erro ao afirmar que não existiam câmaras de gás em Ausch-witz”, declarou Irving. Contudo, o arguido refutou a acusação de alguma vez ter negado o assassínio de milhões de pessoas pelos nazis e considerou “ridículo” responder por declarações que proferiu em 1989.
Irving, de 67 anos, compareceu em tribunal levando na mão um dos seus mais controversos livros – ‘A guerra de Hitler’ (1977) –, em que contesta a existência do Holocausto e considera que Hitler era “amigo dos judeus”.
Ontem, Irving afirmou que a “História é como uma árvore, constantemente em mudança”, e manifestou pesar “por todas as pessoas inocentes que morreram durante a II Guerra Mundial”.
Mas o procurador do Ministério Público, Michael Klackl, considerou que Irving “é tudo menos historiador, é um ambicioso falsificador da História”, já que afirmou que durante o nazismo houve crimes isolados e que a maioria das vítimas nos campos de concentração morreram por causas naturais.
Irving, detido em Novembro de 2005 na Áustria, depois de há 17 anos ter negado a existência do Holocausto e o extermínio de mais de seis milhões de judeus, foi ontem condenado a uma pe-na de três anos de prisão.
PORTUGUESES AO LADO DE IRVING
Tal como Irving, também há portugueses com posições consideradas polémicas relativamente ao Holocausto. Por exemplo, para o jornalista Eurico de Barros, que chegou mesmo a trocar correio electrónico com o próprio Irving, “nenhum assunto deve ser tabu no que se refere à investigação histórica e este tornou-se numa espécie de tabu religioso.
É impossível investigar sobre ele. Quem se atreve a pôr em questão o Holocausto, é perseguido e são-lhe tirados os meios de subsistência”. “Este caso é muito grave, é um caso de censura”, acrescentou Eurico de Barros, que não acredita que o Holocausto tenha feito seis milhões de mortos. “Nunca fui nazi. Muitos historiadores de esquerda põem em causa o Holocausto”, comentou. Já o empresário e advogado Silva Resende considera que “há um exagero” quanto ao Holocausto, que foi “sobreavaliado”. Mais peremptório, Mário Machado, líder da Frente Nacional, declarou: “Não acreditamos no Holocausto. O bombardeamento de Dresden foi o único Holocausto.
Irving negou porque não queria ficar preso.” Já José Pinto Coelho, presidente do Partido Nacional Renovador, preferiu não se pronunciar sobre o assunto, porque considera que “não há liberdade de expressão”, mas admite eventuais “pressões” sobre Irving.
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