Armando Esteves Pereira
Diretor-Geral Editorial AdjuntoAntónio Costa disse que 2017 foi um "ano particularmente saboroso" para Portugal. Estava a falar só de economia, porque com duas tragédias dos fogos, com tantos mortos, muitos deles por negligência do Estado, e tantos escândalos que minam a confiança dos cidadãos nas instituições, falar de "ano saboroso" é, no mínimo, um comentário infeliz e desajustado.
Sim, em matéria de economia e finanças 2017 correu bem. O melhor dos últimos anos e possivelmente melhor que os próximos. As previsões apontam para a manutenção do crescimento até 2020, apesar de se notar alguma desaceleração, já a partir de 2018.
Mas para as famílias há uma ameaça no horizonte: a subida dos juros. A Reserva Federal americana já procedeu a nova subida e prevê mais em 2018. É provável que o BCE mantenha o dinheiro muito barato no próximo ano, mas a partir de 2019 é também possível que acompanhe essa tendência de alta do preço do dinheiro.
E cada ponto percentual de aumento é uma dor de cabeça para as famílias portuguesas.
Salário não estica
Apesar do aumento previsto do salário mínimo, os ordenados médios não vão ter grandes subidas. Assim, em dois ou três anos a subida dos juros vai apertar severamente o orçamento das famílias.
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