O interesse que o centenário de Fátima desperta nos media, em especial nas televisões, está de acordo com o seu interesse público. Fátima é o maior acontecimento religioso nacional. Nas últimas décadas, adquiriu dimensão mundial. Desde Paulo VI, todos os papas vieram a Fátima, excepto João Paulo I, que só o foi por 33 dias (visitou-a um ano antes de ser papa, enquanto patriarca de Veneza, tal como João XXIII).
Se prelados da Igreja portuguesa tiveram um importante papel na sua formalização institucional, Fátima impôs-se por devoção e participação popular. O cardeal Cerejeira disse-o numa expressão lapidar em 1942: "Não foi a Igreja que impôs Fátima, foi Fátima que se impôs à Igreja". Numa perspectiva sociológica, significa que a multidão, neste caso de fiéis, o seu número, a sua visibilidade e, nos primeiros anos, a resistência ao jacobinismo da República, se impôs à sociedade.
Impôs-se desde a primeira hora aos media, que são uma expressão da sociedade. Logo em 1917, Fátima foi alvo de ampla cobertura em alguns jornais; hoje, centenas de órgãos de comunicação concentram-se no Santuário. E basta olhar para ele: a esplanada está desenhada para a multidão, como S. Pedro, em Roma.
Os media pelam-se por fenómenos de efervescência de multidão e é essa a primeira razão para o seu interesse na cobertura dos eventos. Se há multidão, há audiência. A maioria dos media não manifesta, nas notícias quotidianas, interesse pela actividade da Igreja e seus fiéis. No geral, exprime neutralidade religiosa, mas atrai-a os casos de problemas hierárquicos na Igreja ou a crítica a algumas posições teológicas. Mas isso termina à beira das celebrações em Fátima. Nessa altura, os canais de TV mobilizam-se, quase como se fossem canais oficiais da Igreja; calam-se os contraditores; os repórteres no local vestem-se formalmente, o que por norma não fazem; canais e jornalistas mudam de discurso, como se tivessem sido fatimistas desde pequeninos.
Como camaleões, os media mudam o seu figurino ideológico porque não foi a Igreja que lhes impôs Fátima, foi Fátima que se impôs aos media. Os políticos fazem o mesmo. Quando no poder, mesmo os mais jacobinos ocultam as suas ideias. A tolerância de ponto no dia 12 assinala não só essa desistência como o encosto político ao fenómeno popular. Fazem-no com o futebol, fazem-no com a religião. São como John Singer, o surdo-mudo do romance ‘O Coração É um Caçador Solitário’, de Carson McCullers, que sorri para todos sem nada entender, porque não quer estar só.
Aos media e políticos, Fátima oferece-lhes o milagre de um banho de multidão por empréstimo.
O pluralismo não é cumprido
Que o primeiro-ministro queira silenciar o maior partido da oposição com este comportamento autoritário é mau. Mas o que se nota é a mesma tendência nos media, incluindo os canais de TV. Eis os protagonistas nas notícias dos generalistas e cabo de 10 a 23 de Abril: Marcelo, 89 notícias; Costa, 69; ministro da Saúde, 45; Catarina Martins, 40; Centeno, 36; Jerónimo, 34; Assunção Cristas, 22. E Passos Coelho, líder do maior partido? Zero notícias.
O desequilíbrio em relação à representatividade é gritante. Não cumprem o pluralismo jornalístico. Deturpam a realidade.
Se ‘Baleia Azul’ não é um crime, é o quê?
‘Baleia Azul’ não é um caso de ‘liberdade’, mas de saúde pública. Deveria ser irradiado da Internet, ponto final.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Eficácia em números fantasiosos e nos media.
Na Justiça, o Alzheimer quando nasce é para todos
Perigo, caos e magia em Monte Novo do Sul.
A nova moda vertical no audiovisual.
Um poder político interessado em mudar qualquer coisinha para que fique tudo na mesma.
Investigadores, jornalistas e políticos
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.