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Eduardo Dâmaso

Eduardo Dâmaso

Jornalista

Fenómeno extremo

11 de agosto de 2017 às 00:30

As conclusões e a linguagem do relatório da Inspeção-Geral da Administração Interna e da própria ministra sobre o incêndio que matou 64 pessoas em Pedrógão Grande são praticamente inqualificáveis. Causam uma perplexidade tal que parecem atiradas de outro planeta para a Terra.

Passaram quase dois meses da tragédia e este relatório e o que a ministra diz a propósito representam mais um triste episódio de uma tragédia que não acaba.

Morreram 64 pessoas e o mesmo Estado que não as salvou afunda-se todos os dias numa indecorosa atitude de empata, apenas com o objetivo de salvar a pele a meia dúzia de burocratas e políticos que não estiveram à altura das exigências.

Ainda andam a fazer ‘análises macro’ sobre o comportamento do SIRESP? Francamente. Depois de empatarem as indemnizações, vêm agora atirar o apuramento de responsabilidades objetivas para as calendas.

Ainda estão a investigar o ‘fenómeno extremo’ que varreu a estrada da morte mas não perceberam que eles próprios estão a transformar-se num fenómeno extremo de incompetência, embora peritos na arte de sacudir a água do capote.

Depois, queixem-se do populismo quando as pessoas não votam e engrossam as fileiras da abstenção…

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