Sejamos claros: ao fim de dez dias, por muito boa vontade que houvesse, é impossível afirmar que a captura do foragido e alvo Pedro Dias está a correr "muitíssimo bem", como disse o coordenador da PJ da Guarda. Os operacionais no terreno estão a dar tudo o que podem e não podem. Não é a eles que devem ser pedidas explicações.
Mas que as hierarquias políticas e policiais não estão a agir bem, não estão. O mais forte sinal de que a coisa não corre bem está nas palavras da ministra da Justiça, que ontem fez questão de sacudir o ónus do problema para os media, dizendo que isto "não é um reality show". Na verdade, não é, mas parece coisa pior.
Quando a comunicação sobre um caso de óbvia perturbação da ordem pública não é assumida por nenhum responsável, quando temos a secretária do Sistema de Segurança Interna desaparecida em combate, quando a primeira mensagem de alegada tranquilidade é dada ao fim de dez dias, quando os sinais de fraqueza operacional das hierarquias são tão claros, o mínimo que se pode dizer é que Pedro Dias é um alvo que desafia as autoridades.
Resta-nos acreditar com ingénua esperança que se fosse um caso de terrorismo o sistema reencontrava a sua vocação e eficácia...
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