Passam este mês 250 anos sobre a publicação completa – o último de nove volumes, em janeiro de 1767 – de ‘Tristram Shandy’, de Laurence Sterne (está publicado em Portugal pela Antígona, ‘Vida e Opiniões de Tristram Shandy’, fabulosa tradução de Manuel Portela).
De que trata o romance? De tudo. É esse o segredo: camadas e camadas, declives, assombrações, abismos. De todas as formas conhecidas de começar um livro, escreve Sterne, a melhor é a sua: pela primeira frase.
O que se segue é um prodígio de humor e de desconcerto: capítulos suprimidos ou fora de ordem, frases incompletas, confissões de plágio, misturando ficção com realidade, páginas em branco, personagens reais, notas de rodapé, transcrição de documentos, crítica de arte, filosofia, truques tipográficos – tudo aquilo de que um romancista se pode servir.
Depois do ‘Quixote’, de Cervantes, nenhum livro influenciou tantos autores e mostrou de forma tão visível os artifícios da "modernidade".
Sem ‘Tristram Shandy’ não teríamos as ‘Viagens na Minha Terra’ nem ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’. Não seríamos como somos.
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Só isso explica que, no Parlamento Europeu, se tenham abstido ou chumbado um protesto contra a violência sobre civis iranianos.
Nos delírios das ‘ciências woke’, os factos são um empecilho a ultrapassar para dar voz aos delírios. Pobre Shakespeare, seja ele quem tenha sido na sua grandeza.
Como diria Chico Buarque, “a coisa aqui está preta” – no cérebro brasileiro.
Que pena as nossas escolas serem surdas – a Mozart e ao transcendente que ele nos dá a respirar, como uma tentação de eternidade, sentido de humor e talento puro. Nem é preciso explicar.
Com Trump, o optimismo é ingénuo. O bully parece imparável - até que o que o param.
"Ventura não quer ser Presidente, mas alimentar uma dinâmica que o leve a São BentoVentura não quer ser Presidente, mas alimentar uma dinâmica que o leve a São Bento".