Viveu a morte de um filho com uma doença rara. Uma tragédia que superou com a materialização de uma ideia altruísta: criar uma instituição para crianças com doenças com pouca resposta médica. Paula percebeu que a luz da sua ideia só vingaria com a ajuda de muita gente. Muito mais fácil se conseguisse seduzir poderosos e influentes. Políticos, empresários que levassem a sério a sua ideia. E conseguiu. Construiu uma corte.
Não existe nome grado da Solidariedade ou da Saúde que não quisesse ser parte dessa ideia solidária. Paula descobriu-lhes fraqueza. Para ir buscar o ‘guito’, como ela diz, bastava-lhe aspergir luz sobre o calculismo sedento de promoção social. E assim se entronizou com uma rede clientelar de vassalos poderosos. Eram seus servos e eles desejavam sê-lo. Benzida, sufragada, aplaudida pelos tansos famintos de poder, transformou uma ideia em obra.
O despotismo e a vaidade, levaram-na a cometer um erro fatal. A ideia era da Paula, porém a obra tornou-se de muitos que lhe entregaram milhões. Deslumbrou-se. A história do sucesso tem este pecado original, diria assassino, que dá pelo nome de deslumbramento.
Conheço muitos casos assim. A aceitação de que o estado divino em que se revia com tanto aplauso era um reino sem limites. E foi aquilo que se está a ver. Em dias, o império do deslumbramento desfez-se. Hoje, os telefones já não tocarão, os súbditos, que lhe pediam graças, fugiram.
E, agora, sozinha, ainda enredada no deslumbramento, tenta não morrer afogada, demitindo-se da presidência mas ficando diretora-geral. Quer indemnização para sair. Ainda não percebeu que a luz se apagou. Vai ser duro quando assentar os pés na Terra. No dia, e não estará longe, em que o Ministério Público a apresentar a um juiz. E for julgada. Aí perceberá que em vez de pedir, vai ter de pagar. Talvez com penitência prisional. Só então o deslumbramento cessará e este triste episódio terá fim.
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