É interessante vê-lo quando chega ao café: a porta abre-se e durante dois ou três segundos nada acontece, a pausa teatral antes do galã aparecer no palco.
Surge então, grande, pesado, a cabeça leonina erguida, os olhos flamejantes. Entra, roda sobre si mesmo a fechar a porta, cumprimenta este, acena a outro, a passos medidos procura uma mesa.
Escreve, pinta, canta, representa, esculpe, compõe, é pianista talentoso, realiza performances, vê-se com frequência na televisão, ouve-se com frequência na rádio.
Raro passa semana sem que num ou noutro jornal não apareça escrito seu, ou não se fale das suas muitas actividades.
Verdadeiro furacão que é causa ciúmes, e já me tenho perdido a sonhar sobre que extraordinário poder possui quem realiza tanto, no mesmo tempo em que eu tão pouco faço.
A minha inveja, porém, vai menos para o que ele faz, do que para o modo como se mostra.
Eu francamente gostaria de saber entrar assim no café, vestido de preto, o grande cachecol vermelho enrolado no pescoço, cabeça ao alto, e aquela esplêndida segurança de si mesmo.
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Tão distantes, que já nem exóticos parecem, antes medievais.
O razoável funcionamento da caixa cerebral que armazena os dados.
Mais vezes do que – fosse ela de santo – a paciência aguenta.
Veio a droga, veio o martírio, sobram as ameaças.
Em vez de agradecer os conselhos, mostram má cara.
Um vasto número de portugueses, embora consiga ler um texto, tem dificuldade de interpretá-lo.