Astuto, trabalhador incansável, nascido em família que há gerações, e muito bem, vive do comércio, o meu amigo diz do povo o que Mafoma não disse do toucinho, e aumenta a dose. O povo é mandrião, trafulha, ignaro, sorna, medroso, cobarde, vive para comer e fornicar, não tem espinha dorsal.
Horrores de Estaline, torturas de Mao, bairros de lata, fome e miséria, o povo merece tudo isso e mais. Culpa sua.
Com menos paixão nos argumentos, também eu tenho os meus cavalos de batalha, mas como me esforço por avaliar prós e contras, tornei-me incapaz de arrebatamentos, raro vou mais além do que franzir as sobrancelhas.
Não me agradaria que pudessem fazer de mim um retrato como o que pinto do meu amigo, mas tenho-lhe inveja, pois é muito o que me apeteceria desancar, pôr a nu a desfaçatez, a pulhice, o desdém pelo semelhante, a arrogância dos que se crêem com poder, os que julgam ter recebido do Alto, e em exclusivo, o que aos mais é negado.
Infelizmente, para minha frustração fico-me pelas palavras, que aliás ninguém ouve, porque as guardo para mim.
O que é natural, pois também sou do povo.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
Tão distantes, que já nem exóticos parecem, antes medievais.
O razoável funcionamento da caixa cerebral que armazena os dados.
Mais vezes do que – fosse ela de santo – a paciência aguenta.
Veio a droga, veio o martírio, sobram as ameaças.
Em vez de agradecer os conselhos, mostram má cara.
Um vasto número de portugueses, embora consiga ler um texto, tem dificuldade de interpretá-lo.