Quando o PS e o Bloco mostraram interesse em assaltar as provisões do Banco de Portugal, confesso que não os levei a sério. A coisa, quando muito, estaria ao mesmo nível de outros delírios sobre a famosa ‘reestruturação’ da dívida: um exercício fantasioso que, para além de nocivo, jamais seria tentado sem o acordo dos parceiros europeus.
Fatalmente, enganei-me. Segundo o ‘Expresso’, a ‘restruturação’ da dívida é para ficar na gaveta. Mas socialistas e bloquistas pretendem mesmo mudar os estatutos do Banco de Portugal para irem directamente aos cofres da casa.
Bem sei que um Estado gastador é como um drogado em abstinência: começa a procurar dinheiro até nos locais mais impensáveis. Resta saber se o Presidente da República vai permitir a destruição de um organismo independente e a captura do seus dividendos por razões exclusivamente eleitorais. O primeiro grande teste de Marcelo é agora.
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Em Portugal, nada é mais difícil do que o humor. A realidade vem sempre coberta por uma mortalha absurda que derrota qualquer concorrência.
Foi preciso muito detergente, nas revisões posteriores, para limpar estas manchas.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Basta uma temporada longe do poder para que a desafinação se instale.
Pedro Passos Coelho quer reformas – e empurra o governo para os braços do Chega.
O PS já percebeu que pode esticar a corda sem risco e ameaça ‘rupturas’ dramáticas se não lhe reservarem um lugar no Tribunal Constitucional.