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João Pereira Coutinho

João Pereira Coutinho

Anestesia geral

10 de novembro de 2017 às 00:30

Aqui há uns anos, fui assaltado à mão armada em São Paulo. Contei o episódio a amigos locais. Nenhum se mostrou impressionado e vários tinham histórias semelhantes para partilhar. A violência fazia parte do quotidiano.

Passa-se o mesmo em Portugal com a criminosa incompetência do Estado. Em junho, a tragédia dos incêndios estremeceu o País com a sua lista de mortos e feridos. Em outubro, também. Mas agora, com a legionella, pressinto uma sensação de cansaço: mais dois mortos, mais 38 infectados.

Onde está a novidade? E o hospital, que nem sabe onde está o foco da contaminação, continua aberto – e seja o que Deus quiser. Se juntarmos dois cadáveres removidos dos velórios para autópsia – esqueceram-se de avisar o Ministério Público – percebemos melhor como o grotesco se tornou banal.

Eis o sonho de qualquer governo: ter um povo anestesiado que olha para a anormalidade como se ela fosse normal.

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