Ter a vizinhança a decidir quem os proprietários metem em casa: sim ou não? O PS responde sim e as críticas desabaram sobre os socialistas. Pelos vistos, a proposta de lei sobre o alojamento local não respeita a propriedade privada. Concordo. Mas o problema não se esgota na proclamação do direito à propriedade privada. O PS pretende uma curiosa inversão do ónus da prova: antes de qualquer delito, o turista é culpado em potência.
O cenário é perfeito para que o português médio possa cultivar a sua adorável xenofobia. Mas é também um convite para que os condóminos possam espiolhar a vida alheia e, consoante os casos, discutir também a admissão de crianças, animais, adolescentes, velhos, pretos, ninfomaníacas, Sinatras de chuveiro – tudo e todos, excepto talvez monges budistas (sem mantras).
A lei geral não serve. É preciso uma lei específica para consolar o Torquemada que há em nós.
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Em Portugal, nada é mais difícil do que o humor. A realidade vem sempre coberta por uma mortalha absurda que derrota qualquer concorrência.
Foi preciso muito detergente, nas revisões posteriores, para limpar estas manchas.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Basta uma temporada longe do poder para que a desafinação se instale.
Pedro Passos Coelho quer reformas – e empurra o governo para os braços do Chega.
O PS já percebeu que pode esticar a corda sem risco e ameaça ‘rupturas’ dramáticas se não lhe reservarem um lugar no Tribunal Constitucional.