Aguém dizia que o pior que nos pode acontecer é vermos os nossos desejos realizados. Talvez seja – em outras latitudes. Em Portugal, e sobretudo para a oposição, pode ser pior que os desejos não se realizem.
Não vale a pena dizer o óbvio sobre os números da semana: a economia cresce; Bruxelas aceitou o Orçamento; não há sanções a caminho. E também não vale a pena repetir o óbvio sobre o nosso destino a médio prazo: o crescimento económico é tímido; os juros teimam em não descer; os investidores não parecem convencidos.
O problema é que a política mediática não se faz a médio prazo; faz-se a curto prazo. E, no curto prazo, os portugueses têm dinheiro no bolso e nenhuma catástrofe a estragar a bonomia.
Se esta semana ensinou alguma coisa a Passos Coelho foi a não fazer oposição com profecias. Até porque esperar que o diabo apareça é não conhecer as manhas do mafarrico.
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Em Portugal, nada é mais difícil do que o humor. A realidade vem sempre coberta por uma mortalha absurda que derrota qualquer concorrência.
Foi preciso muito detergente, nas revisões posteriores, para limpar estas manchas.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Basta uma temporada longe do poder para que a desafinação se instale.
Pedro Passos Coelho quer reformas – e empurra o governo para os braços do Chega.
O PS já percebeu que pode esticar a corda sem risco e ameaça ‘rupturas’ dramáticas se não lhe reservarem um lugar no Tribunal Constitucional.