As autárquicas já nos parecem pré-história. Mas, na contabilidade dos vencedores e dos derrotados, alguém se esqueceu do Presidente da República. Bem sei: Marcelo Rebelo de Sousa nunca foi um entusiasta de Passos Coelho. E António Costa, na primeira parte do mandato, teve em Belém uma almofada.
Só que a vitória do PS nas autárquicas, e a ‘humilhação’ do PSD, coloca uma questão: será do interesse do Presidente ter um governo a caminho da maioria absoluta?
A pergunta responde-se a si própria: se Costa chegar à maioria, não é apenas a ‘direita’ que afunda. É a influência (e a autoridade) de Marcelo.
No 5 de Outubro, para além das advertências a uma ineficaz segurança interna, o Presidente avisou: ‘não há sucessos eternos nem reveses definitivos’.
Ou muito me engano, ou as autárquicas inauguraram a luta que interessa: entre a maioria que Marcelo tem e a maioria que Costa deseja.
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É só o fim das certezas fáceis.
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O destino do conflito será decidido entre o impulso de parar já e a suspeita de que parar agora pode sair mais caro do que continuar.