Depois de Tancos, continuamos um país seguro? O ministro Santos Silva disse que sim e eu estou ao lado dele. O próprio assalto, aliás, demonstra essa segurança: os criminosos entraram no quartel, levaram a sua lista de compras, abasteceram-se com os seus vagares – sem nunca sofrerem o mais leve arranhão. Eis a imagem de Portugal que devemos promover no exterior: somos tão seguros que até os assaltantes não têm nada a temer.
E sobre Pedrógão? Pedro Nuno Santos, com a rectidão que todos lhe reconhecemos, afirmou o essencial: os portugueses podem ter uma grande confiança no Estado. Os portugueses que estão vivos, presumo; sobre os 64 mortos de Pedrógão seria obsceno conjecturar.
Moral da história? Julgava eu que cabia ao governo assumir responsabilidades – ou, pelo menos, um singelo pedido de desculpas. Errei. Afinal, somos nós, portugueses, que devemos agradecer por tudo.
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Em Portugal, nada é mais difícil do que o humor. A realidade vem sempre coberta por uma mortalha absurda que derrota qualquer concorrência.
Foi preciso muito detergente, nas revisões posteriores, para limpar estas manchas.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Basta uma temporada longe do poder para que a desafinação se instale.
Pedro Passos Coelho quer reformas – e empurra o governo para os braços do Chega.
O PS já percebeu que pode esticar a corda sem risco e ameaça ‘rupturas’ dramáticas se não lhe reservarem um lugar no Tribunal Constitucional.