Quando José Sócrates foi detido, começou o contra-relógio: falo de políticos ou comentadores que, dia sim, dia sim, perguntavam pela acusação. A manobra era óbvia: condicionar o trabalho da justiça. Mas era também mentecapta: os mesmos que denunciavam o atraso da acusação desconheciam por completo a dimensão (e a complexidade) do processo.
E ignoravam que esses atrasos eram também imputáveis à estratégia da defesa.
Pois bem, a acusação chegou. E os dados revelados permitem concluir que não era possível fazer melhor no tempo disponível. Para o MP, não estamos na presença de crimes vulgares; mas de um complô entre os poderes político, económico e financeiro para controlar a democracia e saquear Portugal.
Presunção de inocência? Sem dúvida. Mas este processo simboliza já uma vitória: depois de anos de reverência perante o poder, a justiça mostrou aos portugueses que ainda serve para alguma coisa.
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Fernando Mamede é o oposto deste tempo ruidoso em que todos os medíocres têm uma confiança ilimitada nos seus nulos préstimos.
Até chegarmos ao primeiro-ministro, capa e collants, a esvoaçar sobre um país em emergência permanente.
Aproveitar o embalo para crescer eleitoralmente e tentar ultrapassar os quase 2 milhões de votos que Montenegro obteve nas últimas legislativas.
O bully pode parecer imparável - até ao dia em que alguém o pára.
Não levo a sério estes defensores intermitentes da liberdade de expressão.
O apoio do centro-direita à sua vitória não está em causa.