Quando José Sócrates foi detido, começou o contra-relógio: falo de políticos ou comentadores que, dia sim, dia sim, perguntavam pela acusação. A manobra era óbvia: condicionar o trabalho da justiça. Mas era também mentecapta: os mesmos que denunciavam o atraso da acusação desconheciam por completo a dimensão (e a complexidade) do processo.
E ignoravam que esses atrasos eram também imputáveis à estratégia da defesa.
Pois bem, a acusação chegou. E os dados revelados permitem concluir que não era possível fazer melhor no tempo disponível. Para o MP, não estamos na presença de crimes vulgares; mas de um complô entre os poderes político, económico e financeiro para controlar a democracia e saquear Portugal.
Presunção de inocência? Sem dúvida. Mas este processo simboliza já uma vitória: depois de anos de reverência perante o poder, a justiça mostrou aos portugueses que ainda serve para alguma coisa.
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Em Portugal, nada é mais difícil do que o humor. A realidade vem sempre coberta por uma mortalha absurda que derrota qualquer concorrência.
Foi preciso muito detergente, nas revisões posteriores, para limpar estas manchas.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Basta uma temporada longe do poder para que a desafinação se instale.
Pedro Passos Coelho quer reformas – e empurra o governo para os braços do Chega.
O PS já percebeu que pode esticar a corda sem risco e ameaça ‘rupturas’ dramáticas se não lhe reservarem um lugar no Tribunal Constitucional.