A Protecção Civil e o governo não querem que os bombeiros falem com os jornalistas. Percebe-se. Os bombeiros estão metidos no inferno dos fogos – e eles sabem, juntamente com as populações, o que custa a incompetência do Estado. Calados e obedientes, cumpre-lhes comunicar para a sede; depois, a sede comunica aos jornalistas a informação ‘relevante’.
Dizer que isto é uma comédia seria um insulto aos comediantes. Mas não é um insulto perguntar se os jornalistas estão dispostos ao papel de marionetas, comparecendo aos ‘boletins’ como gado obediente.
Em países onde a liberdade de imprensa não é verbo de encher, a Protecção Civil ficava a falar sozinha. Em Portugal, não é de excluir que os profissionais do ramo, depois de insultados na cara, compareçam em Carnaxide para que o vexame continue.
Os líderes autoritários não nascem por acaso; eles precisam de uma cultura de submissão para prosperarem.
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O PS tem aqui uma oportunidade única para fazer prova de vida contra o governo.
A saída de Rita Rato da direcção do Museu do Aljube é a discussão errada. A discussão certa seria saber como foi que Rita Rato lá entrou.
Ainda teremos saudades da velha teocracia iraniana.
O estilo lúdico de Marcelo é o melhor de Marcelo: num país ‘engravatado todo o ano e a assoar-se na gravata por engano’, terei saudades deste jogral.
Desafiar Passos Coelho para as eleições internas do PSD é outra forma de desconversar: transforma um problema de governação num ajuste de contas partidário.
Sempre que o Tio Sam se mete em aventuras militares contra regimes tirânicos, a esquerda doméstica começa o seu carrossel de histeria e lamúria.