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João Pereira Coutinho

João Pereira Coutinho

Trabalhos de casa

05 de maio de 2017 às 00:30

Aqui há uns tempos, mil adolescentes foram para Torremolinos e dedicaram-se ao vandalismo em larga escala. Nada de novo. O que era novo era a atitude dos pais: a culpa, diziam alguns, era do próprio hotel destruído, que não tinha bar aberto nem compreendia a excitação hormonal da descendência.

Agora, é a Baleia Azul. Quando ouvi falar da coisa, julgava que se tratava de uma musa rechonchuda da claque dos Super Dragões que levava os adolescentes à loucura. Enganei-me: é um jogo virtual que pode levar à morte.

Pontos prévios: sim, o MP que investigue; sim, era bom que as plataformas que permitem incitamentos ao suicídio fossem responsabilizadas. Mas custa engolir este tique permanente de responsabilizar o mundo – a internet, um maluco russo, etc. – por falhas que começam em casa.

Pedir que o Estado seja o eterno pai dos filhos é tão patético como esperar que ele seja o eterno pai dos pais.

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