Escrevia, no já distante ano de 1983, Marguerite Yourcenar sobre as "modificações sublimes" que a passagem do tempo inevitavelmente produz sobre as obras dos homens e as intenções dos mesmos sem nunca lhe ter passado pela cabeça como o futebol "au" Portugal se viria a transformar nesta segunda década do século XXI numa espécie de laboratório vivo do seu postulado ‘O Tempo, Esse Grande Escultor’. Tomemos por exemplo o fenómeno dos títulos do Sporting segundo Bruno de Carvalho.
Em abril de 2016 apontou Carvalho na rede social da sua predileção para um número de títulos conquistados pelo emblema de que é o mais inspirado representante de todos os tempos: "Quase 110 anos de história ajudam a explicar o porquê de o Sporting ser unanimemente considerado a Maior Potência Desportiva Nacional e um dos Clubes mais vitoriosos de todo o Mundo.
Os números podem falar por nós: temos no nosso património cerca de 20 000 títulos arrebatados." Menos de um ano e meio depois desta incursão ao Facebook, e por ocasião de uma festa interna ocorrida na semana passada em Alvalade, verificou-se que o tempo para o presidente do Sporting não é um grande escultor, é um enorme escultor.
Oiçamo-lo: "Somos o clube do Mundo com mais títulos. Não é de Portugal, não é da Europa. É do Mundo! Temos mais de 22 mil títulos nacionais e internacionais, o que faz de nós a maior potência desportiva nacional e mundial!"
Os 2 mil títulos "arrebatados" em 17 meses a uma média de 4 títulos por dia podem ter passado despercebidos a muita gente de má-fé mas o que não se pode ignorar de todo é como o tempo, esse grande escultor, foi um enorme escultor no caso ainda mais recente do "perdão" a Bryan Ruiz, o costa-riquenho proscrito vá lá saber-se porquê. Por ter falhado um golo de baliza aberta num jogo com o Benfica não terá sido com certeza.
No dia 6 de novembro, a FIFA e a Federação Internacional de Futebolistas Profissionais assinaram um acordo que permite automaticamente aos jogadores abandonar os clubes que não cumpram com o pagamento dos salários ou que tenham "condutas abusivas" como é o caso de um clube que obrigue um jogador a treinar-se por conta própria e à parte dos restantes colegas de equipa.
E, posto isto em cima da mesa, não é que 6 dias depois, a 12 de novembro, foi anunciado o tal "perdão" a Bryan Ruiz depois de um encontro "reconciliatório" com o presidente do clube. Um reencontro adorável, garante a imprensa livre, que só o tempo, esse brutal escultor, poderia finalmente proporcionar. E proporcionou. Qual FIFA, qual carapuça!
Mais um crime de lesa-Porto
Danilo no call center e não obriguem o Catão a ir "mais longe"
Até a seleção nacional tem a sua utilidade para que o combustível pingue para esta fogueira que vai aquecendo e sobreaquecendo o ambiente geral do futebol cá da gente.
Não se atrevendo – por enquanto… – a chamar "lampião" a Fernando Santos, veio o FC Porto protestar contra a "sobreutilização" do seu jogador Danilo Pereira nos tão amigáveis encontros com a Arábia Saudita e com os EUA considerando, certamente, que se tratou de um crime de lesa-Porto à semelhança de tantos outros que fazem furor nas redes sociais.
Prova provada de que o Benfica manda nisto tudo é o facto de Pizzi ter sido convocado não para se cansar jogando mas para se sentar, com toda a comodidade, no call center da Federação Portuguesa de Futebol atendendo telefonemas da linha solidária com as vítimas dos incêndios deste verão.
Estes tratamentos de privilégio têm de acabar. Não obriguem o Catão a ir "mais longe" desobedecendo "às ordens" para não "rebentar mais bombas". Mas ordens de quem?
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Hjulmand provou ser de modos impecáveis
Temo a chegada do dia em que estabelecimentos como estes desapareçam do mapa da minha cidade
Sporting é um caso de estudo.
Sinto-a como um glorioso reduto da Lisboa que vai morrendo para que outra Lisboa nasça
Sigo devotamente os torneios de sumo e digo-o não por presunção, mas porque é esquisito o caminho que me levou até lá.
Os presentes que mais gostei de receber e de que guardo as memórias mais doces.
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