Solidário com os árbitros portugueses, vítimas de uma campanha de coação por parte de estranhos – tal como o Benfica proclamou através da sua estação de televisão –, entendeu o mesmo Benfica que o modo mais eficaz de apoiar a anunciada falta de comparência dos ditos árbitros na próxima jornada do campeonato seria rubricar estrategicamente a sua posição sobre este tema com uma estrondosa falta de comparência da sua equipa principal no jogo de Moscovo na quarta-feira seguinte. Dito e feito.
Os árbitros, entretanto, resolveram pensar melhor no assunto, reuniram-se e desconvocaram a greve com que chegaram a ameaçar o ‘status quo’ – expressão latina que significa qualquer coisa como o ‘estado atual’ – do futebol português apresentando, em alternativa, um caderno de reivindicações semânticas que pretendem ver respeitadas com caráter de urgência sob pena de voltarem a equacionar o uso do último recurso das classes laborais, a malfadada greve. Por pura maldade, está visto, a assembleia de árbitros ocorreu já depois das sete da tarde de quarta-feira, não dando a mínima hipótese ao Benfica de rever a sua expressão de solidariedade com a falta de comparência dos juízes de campo que seria desconvocada já depois de a equipa campeã de Portugal ter assumido no relvado a sua própria falta de comparência no decisivo jogo com os russos do CSKA.
Foi, assim, em vão o sacrifício da equipa orientada por Rui Vitória. A falta de comparência, a não-exibição em Moscovo redundou naturalmente numa derrota por 2-0 que acabou por não servir para coisíssima nenhuma a não ser para dar moral e para devolver o bom nome ao guarda-redes do CSKA, que vinha sofrendo golos há 43 jogos consecutivos na Liga dos Campeões e que, ao 44º jogo, tendo pela frente o Benfica lá conseguiu ver interrompida a sua série negra. Digo-te já, meu caro Akinfeev, que ou era naquela noite ou nunca mais era. Chegando o Benfica à gélida da Rússia com um cúmulo adquirido de quatro faltas de comparência nos quatro jogos entretanto disputados nesta fase inicial da prova e apenas com um golo apontado, ser-lhe-ia, na realidade, muito difícil contrariar o padrão imposto.
A greve total do Benfica na Europa teve, no entanto, um mérito que poderá vir a servir para alguma coisa tendo em conta que ainda faltam seis meses para o fim da temporada. É que, no meio de tudo isto, salvou-se Filip Krovinovic. Por não ter sido inscrito na UEFA – bem visto! – o croata escapou à mão cheia de desastres internacionais e pode apresentar-se com o moral intacto para o muito que ainda vem aí. É o único.
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