O inglês Gary Lineker, que foi um extraordinário futebolista no seu tempo, definiu com clareza o momento que decidiu o jogo da Luz entre o Benfica e o Manchester United. "O mais jovem guarda-redes de sempre na Liga dos Campeões parecia o mais jovem guarda-redes de sempre na Liga dos Campeões".
Pois é, parecia mesmo que tinha 18 aninhos o belga de 18 aninhos que entregou a vitória à equipa de José Mourinho na quarta-feira passada. Diga-se que foi o único momento do jogo em que Mile Svilar se fez confundir com um rapazola a sair da adolescência porque no tempo restante foi mais do que adulta a sua exibição.
Até quando tudo acabou, vimo-lo portar-se como gente crescida, pedindo desculpa, em bom português, aos adeptos e aos colegas de equipa.
Svilar foi chamado à ação por diversas vezes, desfazendo a preceito cruzamentos perigosos para a sua área e brilhando na difícil especialidade de não se deixar de enganar em dois pontapés de canto apontados diretamente para a sua baliza que foram, provavelmente, os lances mais perigosos de ataque do Manchester United.
Na realidade, tratou-se de 90 minutos de futebol sem balizas. Pela parte do Benfica, tristemente, não se registou um único tiro enquadrado à meta de De Gea e pela parte dos ingleses, amavelmente, também nada mais se registou de flagrante em termos de oportunidade de golo.
A última coisa de que precisava este periclitante Benfica de 2017/2018 era de descrer na terceira tentativa de ver afirmado um nome que defenda a sua baliza. Depois de Varela, que não correu nada bem, e depois de Júlio César, que há muito tempo parece não estar a 100%, a solução belga não foi um ato de coragem de Rui Vitória. Foi uma inevitabilidade. Por isso mesmo veio o treinador do Benfica em sua defesa garantindo que o belga estará entre os postes no jogo com o Desp. Aves.
Mas se Svilar, de facto, pareceu um garoto de 18 anos no lance fatal, todo o discurso do treinador do Man. United viria a refletir a urgência de moralizar o protagonista da noite como se Mourinho fosse o treinador do Benfica e não o da equipa contrária.
"Este miúdo é uma fera, vai ser um grande guarda-redes", "só um grande guarda-redes é que sofre este golo", "o presidente que prepare uma grande mala porque ele vai valer muito dinheiro", "tem uma leitura de jogo fantástica" e mais ainda. Ou seja, Mourinho, o bom samaritano, não sendo o treinador do Benfica, disse tudo aquilo que Rui Vitória não pôde dizer. Porque o verdadeiro treinador do Benfica tem mais dois guarda-redes em casa para não desmoralizar.
Uma questão corporativa desde 2012
A fatal conjugação de árbitros alemães com o Benfica de Luisão
O "capitão" do Benfica vai falhar o próximo jogo da Liga de Campeões porque foi expulso pelo árbitro alemão Felix Zwayer. Foi bem expulso ou mal expulso, Luisão? Viu um primeiro cartão amarelo, discutível, logo aos 5 minutos - que é como quem diz "estás aqui, estás na rua" - mas aguentou-se como pôde quase até ao fim, quando viu o segundo cartão amarelo, indiscutível.
É de suspeitar que Luisão saiba, melhor do que ninguém, a razão pela qual, estando ele em campo, o Benfica tem azar com árbitros alemães. Trata-se de uma questão corporativa. Desde aquela tarde de agosto de 2012 em que o gigante brasileiro atirou ao chão um árbitro alemão, Christian Fischer, num amigável com o Fortuna de Düsseldorf que a conjugação de árbitros alemães com o Benfica de Luisão vem-se revelando fatal.
A mais sonante expressão desta solidariedade entre compatriotas surgiu na final da Liga Europa disputada com o Sevilha e arbitrada pelo alemão Felix Brych. É isto azar? É, um bocadinho.
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Temo a chegada do dia em que estabelecimentos como estes desapareçam do mapa da minha cidade
Sporting é um caso de estudo.
Sinto-a como um glorioso reduto da Lisboa que vai morrendo para que outra Lisboa nasça
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