A‘sportinguização’ do discurso oficioso e oficial do FC Porto, consumada que foi a 4ª temporada consecutiva a zero no campo desportivo, será, porventura, a nota mais dissonante de tudo o que foi dito e proclamado no campo político do futebol português. Urge, porém, distinguir entre o que é um discurso oficioso e um discurso oficial. Tomemos por exemplo o episódio que haveria de conduzir ao reatamento de relações entre os segundos e os terceiros classificados do campeonato que chega este fim de semana ao fim.
Surpreendidos com a presença das câmaras de uma estação de televisão – a CMTV – à porta do Hotel Altis, em Lisboa, os responsáveis da comunicação do Sporting e do FC Porto entenderam, com todo o direito, não prestar explicações sobre a agenda da reunião que teve o seu curso no arranque da semana anterior à jornada que colocaria ponto final na discussão do título.
Os comunicadores do Dragão abandonaram o hotel de automóvel saindo pela porta das garagens rumo à A1 – presume-se – e o comunicador de Alvalade, saindo do hotel pelo seu pé em passo estugado, não perdeu tempo a responder às questões que a reportagem da CMTV lhe pretendia colocar.
Obrigatoriamente, perante o assédio da imprensa, havia de prosseguir o diálogo entre as partes até que uma justificação cabal para que semelhante encontro satisfizesse a curiosidade dos jornalistas e a não menos legítima curiosidade dos adeptos dos dois emblemas.
Respondendo a estas questões práticas, o primeiro discurso a sair para a praça pública foi, justamente, o oficioso, que é aquele tipo de discurso sem rosto que se faz chegar às redações dos jornais através das ‘fontes’.
E, assim sendo, as ‘fontes’ do Sporting e do FC Porto apressaram-se a explicar ao País que o inusitado encontro se tinha ficado a dever à necessidade de discutir "questões de segurança relacionadas com o importante jogo de andebol entre dragões e leões, sábado, no Pavilhão Desportivo do Casal Vistoso que pode ser decisivo para a atribuição do título nacional da modalidade".
Mas ninguém acreditou na justificação do andebol do Casal Vistoso. Houve então necessidade de apagar a má impressão avançando-se para um discurso oficial conjunto, sem recurso a ‘fontes’, com os dois clubes assumindo frontalmente o bondoso reatar de relações de modo a matar as especulações maldosas que o encontro tinha, inevitavelmente, suscitado.
FC Porto e Sporting ou Sporting e FC Porto, unidos como estão, no próximo ano um deles será inevitavelmente campeão. Fica apenas por saber quem conduzirá a motoreta nos festejos do título de 2017/2018 e quem se sentará, não menos feliz, no lugar do pendura. Pouco importam, no entanto, esses pormenores mesquinhos.
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Na hora da consagração do Mónaco
Leonardo Jardim e os nossos "pedreiros de ouro" em França
Leonardo Jardim é impecável. Não lhe basta ser campeão de França e continua a ser aquele tipo impecável de português de sucesso fora de portas que, na hora da glória, não esquece os seus compatriotas estigmatizados como trabalhadores rudes de serviços rudes.
O contingente de milhões de emigrantes portugueses em França ficou certamente grato ao treinador madeirense que, no ano passado, não se esqueceu deles quando se viu arredado dos prémios destinados aos ‘melhores treinadores’ do ‘championnat’ e, deliciosamente irónico, explicou porquê: "Aqui só posso ganhar o prémio de melhor pedreiro…"
Esta temporada, Jardim conduziu o Mónaco ao título francês e às meias-finais da Liga dos Campeões e lá tiveram os franceses de lhe dar o prémio de melhor treinador do ano. Como Jardim não se esquece nunca dos seus compatriotas, voltou a atirar: "Estou a progredir, ganhei a espátula de ouro…" Bravo, Jardim! E bravo, Moutinho, bravo, Silva! Um belíssimo trio de pedreiros de luxo.
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