Não foi assim há muito tempo que toda a gente via o PS a caminho da maioria absoluta. Foi antes de Pedrógão Grande. Ainda alguém se lembra? Fado, Fátima e futebol, i.e. o Papa, o Salvador na Eurovisão e o Benfica a comemorar o campeonato. O país da moda, a abarrotar de turistas e a dar lições de coligações de esquerda à Europa (vinham em romaria da Holanda, da Dinamarca…), o país 'hip', com artigos de fundo na imprensa estrangeira. Depois veio Pedrógão, Tancos, os mortos de Outubro e os da legionella, e o país 'hip' foi soterrado por outro, saído do século XIX, anterior aos comboios de Fontes Pereira de Melo. Nem o folclore cibernético da Web Summit se salvou.
É por isso que começam a aparecer sondagens onde os envolvidos da geringonça não crescem e até descem um niquinho. A perspectiva da maioria absoluta sempre foi forçada: não é difícil ao PS e ao PSD chegarem a valores próximos de 40%, o problema é a pequena margem de votos acima disso que garante a dita maioria. Se já era difícil, mais ficou. A que se junta o regresso do PCP e do BE à oposição a sério, a respeito dos professores. PCP e BE, preocupados com a descida nas sondagens, lembraram-se de regressar aos nichos de eleitorado.
O instinto inicial do PS era confrontar os professores, uma classe impopular, pela constante perturbação que causa na vida das famílias. Mas se o fizesse arriscar-se-ia a que PCP e BE interrompessem a famosa 'paz social' da geringonça, com greves e manifestações. O PS pôs-se numa terra de ninguém, de onde resultou a inacreditável trapalhada das negociações com os sindicatos de professores, enquanto o ministro convalesce de vertigens no hospital.
A geringonça construiu a ficção do Portugal feliz antes da troika e do PSD-CDS. Agora que o velho Portugal infeliz de sempre irrompeu com estrondo, há quem comece a desconfiar da conversa.
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