Pelos vistos, dá para tudo: para açoitar o PSD e, ao mesmo tempo, amansar a esquerda. Foi o que se viu nas jornadas parlamentares do PS. Claro que isto só pôde acontecer porque corre tudo bem ao PS. Diz-se que corre tudo bem com a geringonça, mas não é bem verdade.
Corre bem é ao PS. O PS perdeu as eleições de 2015 com 32% dos votos e agora aparece à frente das sondagens em torno dos 40%, à beira da maioria absoluta. BE e PCP apenas mantêm os resultados de 2015. Isto mostra a armadilha em que estão enfiados. Têm de continuar a apoiar o Governo PS mas, como o Governo é popular, vão criando as condições para se tornarem dispensáveis (caso o PS chegue mesmo à maioria absoluta).
Há aqui bastante sorte à mistura. Em condições normais, a vida da geringonça seria mais difícil. De 2015 para cá, aconteceu o que era previsível: o Governo teve de fazer austeridade. Diferente, mas austeridade na mesma. Isto deveria sig-nificar um crescimento económico irrisório, a haver algum. Mas aconteceu a inesperada loucura turística por Portugal. Não só a economia cresce como nós nos sentimos amados. E isto vai enfunando as velas do PS.
É por isso que é um pouco injusta a crítica às previsões satânicas de Passos Coelho. Em condições normais, o Diabo acabaria mesmo por chegar (e vendo bem até chegou, vestido de austeridade). Mas como, em vez disso, todos os dias aterram na Portela e em Pedras Rubras milhares e milhares de anjos franceses, alemães ou ingleses, o Diabo acabou por ficar-se pelos detalhes.
O PSD é, evidentemente, a grande vítima disto. É verdade que a previsão da chegada do Diabo não era assim tão errada, mas também é verdade que o PSD não pode viver só de expectativas negativas. Ora, hoje, para lá do cumprimento das regras europeias e da satisfação dos credores, não sabemos que ideia tem o PSD para o país. E se continua assim, é o Diabo.
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