page view
Luciano Amaral

Luciano Amaral

Professor universitário

Dos Santos da casa

23 de agosto de 2017 às 00:30

Muito se tem dito como tudo será diferente em Angola depois das eleições de hoje, pelo simples facto de José Eduardo dos Santos (’Zédu’) se ir embora. Talvez venha a ser diferente, mas não por vontade de Zédu.

Desde logo, porque nomeou um fiel para sucessor. João Lourenço só pretende seguir o legado do ‘Arquiteto da Paz e Pai da Nação’.

Depois, porque assegurou a sua capacidade para nomear os chefes de todas as forças de segurança nos próximos quatro anos (prorrogáveis por mais quatro). Finalmente, porque se entreteve a disseminar a família pelos cargos mais importantes do país.

O mais importante é, sem dúvida, a presidência da Sonangol, que entregou à filha Isabel dos Santos. Muita gente considera esta a posição mais importante do país, mais até do que a presidência da república.

Mas o filho mais velho, José Filomeno, também foi presenteado com algo significativo: a presidência do Fundo Soberano de Angola.

Outros filhos ocupam cargos menores, mas só a Sonangol e o Fundo bastam para ter a economia na mão e, logo, o controlo sobre a distribuição dos recursos.

Somando–se a isto o controlo das forças armadas, da polícia e da espionagem. Zédu afasta-se por estar muito doente, mas não do comando do país.

Sim, tudo será diferente: não na efetiva democratização de Angola, mas na incógnita que se abre sobre como aceitará a elite angolana esta entrega do poder.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Logo CM

Newsletter - Bom Dia

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Reino reformado

Talvez tenhamos de nos desabituar de ver o Reino Unido como o país da estabilidade política.

Não há pacote

A ministra do Trabalho queria dar uso aos artigos que foi escrevendo ao longo da sua carreira académica.

Teerão juízo?

A propaganda, e os seus ecos no jornalismo ocidental, servem apenas para acelerar um ou outro resultado.

Vitórias estreitas

A arma do Estreito de Ormuz tem limites. O Irão precisa tanto (ou mais) dele aberto como o mundo.

2 de Abril sempre!

As constituições são, entre outras coisas, feitas para durar. Revê-las profundamente pode significar acabar com elas

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8