A ‘geringonça’, como projecto económico, morreu. Pode sobreviver como projecto político, pelo menos enquanto o balão de oxigénio da ‘devolução de rendimentos’ mantiver os seus beneficiários satisfeitos.
Como esses beneficiários são sobretudo da classe média e média alta, em particular funcionários públicos, que são dos grupos mais ruidosos na opinião pública, o balão vai dando para umas sondagens razoáveis. Por sua vez, as sondagens vão dando para manter a ‘geringonça’ junta, apesar de casos que noutros tempos teriam levado PCP e BE à apoplexia (como o ‘Galpgate’ ou o episódio da CGD).
A morte da ‘geringonça’ económica não é coisa pouca. Os seus três partidos passaram o tempo a dizer que a política da ‘troika’ era errada e que Portugal precisava de uma política de crescimento. Devolver rendimentos era a maneira de fazer isso, pois a economia cresceria com o consumo.
Ora, os rendimentos foram devolvidos e… nada. Para o Orçamento de 2017, o Governo aparece como uma espécie de Vítor Gaspar de esquerda, desentranhando da cabeça as mais imaginosas formas de esmifrar uns impostos, como o novo tributo sobre o património imobiliário.
Não vale a pena dizer que só os impostos indirectos é que aumentam. Não vale a pena porque, por esta altura, já não era de nada disto que se deveria estar a falar, mas sim de quão espectacular era o crescimento. E também porque se há coisa certa é que estes impostos não vão ajudar ao crescimento.
O imposto sobre os combustíveis faz da gasolina um verdadeiro escândalo nacional: ela é muito mais cara do que em Espanha ou em França, mas os salários lá podem chegar ao dobro.
E não se percebe que orgulho pode ter um governo de esquerda em aumentar impostos indirectos, que são regressivos por definição (isto é, pesam mais sobre quem ganha menos). Resta, realmente, evitar o segundo resgate a todo o custo.
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