No pico da conversa sobre os sms de Centeno, o Governo queixou-se do facto de se andarem a discutir essas trivialidades e não os seus êxitos orçamentais. Não se percebe porquê. O défice será ‘o mais baixo da democracia’, mas não foi bem para isso que António Costa tomou o poder com a ajuda dos amigos do BE e do PCP. Para além de derrubarem o resto do muro de Berlim, Costa e sócios disseram estar a inaugurar um ‘tempo novo’, longe dos horrores da austeridade. O défice baixo lá viria, mas em consequência de um notável crescimento económico, que resultaria do aumento do consumo, por sua vez resultado da devolução de rendimentos. Ora, uma pessoa lê o Boletim Estatístico do Banco de Portugal e verifica que a economia está na mesma: o consumo cresce às mesmas taxas miseráveis do tempo dos austeritários e a economia também. Não cresce o consumo? Cresce a poupança! Não: Portugal é um dos países que menos poupam.
Não admira. O Governo substituiu uma austeridade por outra, que será óptima simplesmente por ser aplicada por pessoas encantadoras. Os rendimentos foram devolvidos, mas sobretudo ao grupo de salários médios e médios-altos da Função Pública. Quanto ao mais, em vez de tirar rendimento por impostos directos, tira pelos indirectos. Se a isto juntarmos os aumentos incríveis dos serviços (água, gás, electricidade, telecomunicações, televisão…), sobra o mesmo para consumir ou poupar.
Tudo somado, o que vai animando a economia é o espantoso caso do turismo, que cresceu 10% num ano (poucas coisas haverá no mundo a crescer assim). Onde voltamos ao velho modo de vida português: a nossa vidinha subsidiada por dinheiro de fora. Em tempos foram as remessas de emigrantes, que mesmo assim ainda pingam: 1,5% do PIB. Se a isto juntarmos os 6%-7% do turismo, temos a explicação de como nos vamos aguentando. É o Portugal de hoje. É o Portugal de sempre.
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