O terrorismo islâmico está a transformar-se numa rotina. Sadiq Khan, presidente da câmara de Londres, disse, a propósito dos ataques de sábado na cidade, que "Londres não é Jerusalém ou Telavive". Mas é nisso que as cidades europeias parecem estar a tornar-se.
À hora a que escrevo, ainda não se sabe quem foram os atacantes da ponte de Londres e do Borough Market, mas não surpreenderá que sejam do mesmo tipo que os de Manchester há dias, os de Paris em 2015, os de Bruxelas em 2016, os de Nice em 2016: jovens nascidos na Europa, com pais originários de países islâmicos. Isto quer dizer uma coisa muito simples e muito preocupante ao mesmo tempo: que a mais recente vaga terrorista corresponde a uma espécie de guerra civil de baixa intensidade. Não estamos a falar de grandes atentados, que destroem arranha- -céus no centro de Manhattan ou fazem explodir aviões. Estamos a falar de acções de ingleses, franceses ou belgas que utilizam, nas suas formas mais complexas, explosivos rudimentares, e nas mais simples, vulgares instrumentos quotidianos como carros ou facas contra pessoas envolvidas em actividades diárias corriqueiras.
Quer isto dizer que este terrorismo não se combate com a grande espionagem internacional e o exército, mas com a pequena espionagem e o policiamento internos. Nem a política de imigração (fechando mais as fronteiras) serve de muito: os terroristas são tão ingleses ou belgas como os restantes ingleses ou belgas.
Quem tenha tido a oportunidade de visitar recentemente cidades como Londres, Paris ou Bruxelas não fica muito surpreendido. De um lado, os bairros inteiramente islamizados, sem uma cara branca, do outro, os bairros brancos. Dois mundos irremediavelmente separados, a metros de distância um do outro. As sociedades ocidentais, liberais e democráticas, vão ter de manter a cabeça fria para lidar com isto.
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