O neoliberalismo de esquerda continua florescente, agora no sistema bancário. Não são já as centenas de flores do presidente Mao, mas os milhões e milhões de euros derretidos na banca portuguesa. O mais recente exemplo é, claro, o Novo Banco (NB). Tivesse o negócio anunciado na sexta-feira sido realizado pela parelha Passos-Portas, o que não se teria dito: "submissão à finança internacional", "sujeição a Bruxelas" e outros mimos do género.
Vejamos o que aconteceu: o Fundo de Resolução da banca é o único accionista do Novo Banco, cujo capital é de 4,9 mil milhões de euros; o fundo Lone Star (LS) vai recapitalizar o banco em mil milhões e, em consequência, ficará com 75% do capital; ora, 75% de 4,9 mil milhões são 3,7 mil milhões; dito de outra maneira: 1000 compram 3700. Nada mau. Por outro lado, o Fundo de Resolução, que tinha entrado com 4,9 mil milhões (3,9 deles emprestados pelo Estado), fica com 25%; ora, 25% de 4,9 mil milhões são 1,2 mil milhões; ou seja, 4900 passaram a 1200. A isto acresce o facto de esses 25% não darem direito a administrador nem voto e acrescem também uma espécie de garantias no caso da mais que provável desvalorização dos activos "problemáticos".
Sejamos honestos: já não havia boas soluções para o Novo Banco. E António Costa tem razão quando diz que a nacionalização seria a pior de todas: era preciso pagar já o capital do banco e, depois, gerir a montanha de lixo que são os seus activos. Agora, o risco para o Fundo (e, logo, para o Estado) fica limitado. Mas vale a pena lembrar o chinfrim que o PS (e restante esquerda) fizeram a propósito da solução de 2014, que também procurava limitar o risco do Estado. E o chinfrim que foi fazendo antes de chegar ao Governo. Eis algo que não ajudou a valorizar o Novo Banco. Afinal, aqui como noutras coisas, a esquerda não tinha nenhuma solução alternativa. Está-se sempre a aprender.
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