Devia ser estudada nas faculdades de jornalismo a diferença entre uma entrevista e um diálogo de propaganda. Diálogos de propaganda são espaços que, travestidos de jornalismo, servem apenas os interesses de um dos intervenientes (ou, para mal pior, dos dois); entrevistas são processos dialéticos que visam servir o cidadão, a quem é dado o poder da síntese.
O juiz Carlos Alexandre sujeitou-se a duas entrevistas. Delas, a síntese, que tem sido impingida aos cidadãos, fica-se pela espuma de uma declaração encaixável no caso concreto de Sócrates.
As necessidades de meios para a PJ, as vantagens da delação premiada, o dinheiro que paga impostos e limpa crimes, nada disso parece importar a uma poderosa máquina de propaganda que visa apenas deixar como está um país empobrecido pelo tumor da corrupção e do amiguismo financeiro.
Enquanto Carlos Alexandre se submeteu ao exercício livre da atividade jornalística, José Sócrates passeou longa e gesticuladamente com um sujeito que, nos dias seguintes, iria produzir mais uma peça de propaganda para distribuir pelos portugueses. O atormentado juiz respondeu a perguntas; Sócrates definiu as respostas.
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Quem terá pagado a filmagem e montagem do vídeo? Obviamente, os nossos impostos.
É o mesmo espírito público, o que semeia o caos no SNS e o que imprime boletins de voto.
Os dois corporizam a figura que o saber romano legou à posteridade como ‘bonus pater familiae’.
Perguntemos aos luso-venezuelanos como viram esta intervenção. Com alívio e esperança.
Todas as manipulações são possíveis, quando a memória coletiva é de um peixinho-vermelho
Portugal é o mais brando dos países da União Europeia a punir os crimes graves.