São cada vez mais nítidas as fraquezas de um Governo formado contra a tradição do regime democrático e refém do seu suporte parlamentar. A constituição apressada de um Executivo com legitimidade assente em comunistas e bloquistas foi um quebra-cabeças para Costa. Ninguém acreditava que uma solução tão frágil durasse toda a legislatura.
Salvo um punhado de históricos do PS e leais camaradas de António Costa, o primeiro-ministro rodeou-se de pequenas figuras ávidas de palco e de poder. Basta ouvir a fraqueza, vertida em discurso, dos ministros da Saúde e do Ambiente para percebermos quão fundo vai o pesadelo onde estamos metidos até às próximas eleições. Se juntarmos a estes mais recentes casos de revelação do princípio de Peter, os já fixados na Defesa, Educação, Economia e Cultura, só podemos desejar que este sonho mau termine depressa.
O drama tem ao fundo, sempre presente, o fantasma de um próximo resgate financeiro, com o Povo a penar e as poucas joias que ainda restam vendidas ao desbarato.
Para assegurar o presente, no apoio dos sôfregos parceiros parlamentares, Costa está a comprometer o futuro. O seu e o de Portugal.
Após as autárquicas, o líder do Governo deveria ter promovido uma remodelação profunda. Mas não. Costa parece feliz, assim rodeado de minúsculas figuras políticas, qual Gulliver na ilha de Lilliput. Por ora, os portugueses ainda vão rindo dos disparates deste e daquele ministro. Depois chegará a hora de pagar a fatura.
Post scriptum: A morte levou Pedro Rolo Duarte, um homem bom, criativo, culto. Saudades de noites no Bairro Alto, entre poesia, música e copos, no velho Targus. A cultura pop nacional, desde a década de 80, deve-lhe muito. Sentidos pêsames, para a família.
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