Imagens proibidas da Coreia do Norte, o país mais fechado do mundo
Vídeos, fotos e textos de Alfredo LeiteDesembarcar em Pyongyang é a experiência mais próxima da entrada numa máquina do tempo que nos faz recuar várias décadas. Aqui tudo é antigo: as roupas, os escritórios, os livros de registo, os cortes de cabelo. E a ideologia.
Há pouca luz no barracão do aeroporto, mas a suficiente para iluminar os dois quadros com as fotos retocadas dos líderes Kim Il-sung e Kim Jong-il. Durante os dias de visita, esta será uma imagem permanente em murais revolucionários, nas fachadas dos edifícios, nos gabinetes da universidade, nas carruagens do metro ou nas lapelas de homens e mulheres.
Uma coisa impossível de ignorar é o culto dos líderes que perpetuam o regime autocrático, obstinado e sanguinário. A outra é a do rosto triste, quase inexpressivo, dos norte-coreanos.
Os norte-coreanos dizem que as estações da envelhecida rede de metro “são as mais profundas do Mundo”. O que não explicam é que este recorde tem um objetivo: em caso de conflito estes são os bunkers de Pyongyang.
O único palco onde a encenação é assumida monta-se sazonalmente no estádio 1º de maio onde decorre o esmagador Festival Arirang. São mais de 100 mil participantes, cerca de metade crianças, que exortam os feitos da Coreia do Norte perante meia dúzia de estrangeiros e uma bancada cheia de membros da ‘nomenklatura’ coreana.
Jantar num dos dois ou três restaurantes destinados aos turistas para provar o tradicional Pansanggi de 11 pratos obriga a cruzar uma cidade mal iluminada. Há casas às escuras e nas ruas homens e mulheres aproveitam os candeeiros públicos para ler de pé. E há medo. Isso até numa curta visita se percebe. Por muito que a propaganda do regime continue a vender a Coreia do Norte como “o país mais feliz do Mundo”.
Edição de vídeo Ismael Jesus
Produção multimédia Sandro Martins
Textos adaptados da publicação original na revista Domingo do Correio da Manhã