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A República do Medo

Imagens proibidas da Coreia do Norte, o país mais fechado do mundo

Vídeos, fotos e textos de Alfredo Leite

Imagens proibidas da Coreia do Norte, o país mais fechado do mundo

Vídeos, fotos e textos de Alfredo Leite

Desembarcar em Pyongyang é a experiência mais próxima da entrada numa máquina do tempo que nos faz recuar várias décadas. Aqui tudo é antigo: as roupas, os escritórios, os livros de registo, os cortes de cabelo. E a ideologia.

Há pouca luz no barracão do aeroporto, mas a suficiente para iluminar os dois quadros com as fotos retocadas dos líderes Kim Il-sung e Kim Jong-il. Durante os dias de visita, esta será uma imagem permanente em murais revolucionários, nas fachadas dos edifícios, nos gabinetes da universidade, nas carruagens do metro ou nas lapelas de homens e mulheres.

Uma coisa impossível de ignorar é o culto dos líderes que perpetuam o regime autocrático, obstinado e sanguinário. A outra é a do rosto triste, quase inexpressivo, dos norte-coreanos.

Os telemóveis já não são apreendidos à chegada a Pyongyang, mas também não servem para nada. A única rede, a Koryolink, está vedada aos estrangeiros e são poucos os norte-coreanos com acesso a telefones móveis.
Um metro que também é bunker

Os norte-coreanos dizem que as estações da envelhecida rede de metro “são as mais profundas do Mundo”. O que não explicam é que este recorde tem um objetivo: em caso de conflito estes são os bunkers de Pyongyang.

150 metros é a profundidade máxima de alguns túneis o que permitirá o seu uso para fins militares. 22,5 quilómetros é a extensão aproximada da rede de apenas duas linhas de metro. 17 estações compõem oficialmente a rede que tem ainda túneis secretos a ligar organismo do Estado.
Na desértica praça Kim Il-sung, onde o regime organiza gigantescas paradas bélicas, três meninas aparecem – e desaparecem – do nada com patins em linha e sorrisos de anúncios televisivos que os coreanos nunca viram.
Nas raras lojas que podemos observar em Pyongyang há prateleiras cheias de raiz de ginseng e licores de proveniência duvidosa em corredores vazios de gente. As funcionárias fazem anotações frenéticas em livros de registos de transações de clientes que nunca conseguimos ver.
As famílias reúnem-se nos parques para piqueniques alegres com refrigerantes chineses e sushi. Há músicas, brincadeiras para as crianças e sorrisos para os forasteiros. Tudo demasiado alegre para parecer real.
A encenação

O único palco onde a encenação é assumida monta-se sazonalmente no estádio 1º de maio onde decorre o esmagador Festival Arirang. São mais de 100 mil participantes, cerca de metade crianças, que exortam os feitos da Coreia do Norte perante meia dúzia de estrangeiros e uma bancada cheia de membros da ‘nomenklatura’ coreana.

À noite Pyongyang é ainda mais deprimente

Jantar num dos dois ou três restaurantes destinados aos turistas para provar o tradicional Pansanggi de 11 pratos obriga a cruzar uma cidade mal iluminada. Há casas às escuras e nas ruas homens e mulheres aproveitam os candeeiros públicos para ler de pé. E há medo. Isso até numa curta visita se percebe. Por muito que a propaganda do regime continue a vender a Coreia do Norte como “o país mais feliz do Mundo”.

Webdesign Edgar Lorga
Edição de vídeo Ismael Jesus
Produção multimédia Sandro Martins

Textos adaptados da publicação original na revista Domingo do Correio da Manhã
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