Votos contra do PS, BE, PCP, PEV e PAN e a favor dos centristas e do PSD.
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A moção de censura ao Governo apresentada pelo CDS-PP foi esta terça-feira rejeitada na Assembleia da República com os votos contra do PS, BE, PCP, PEV e PAN e a favor dos centristas e do PSD.
A moção de censura n.º1/XIII, "pelas falhas do Governo nos incêndios trágicos de 2017", foi rejeitada com 122 votos contra, do PS, PCP, BE, PEV e do deputado do PAN, e 105 votos favoráveis, do CDS-PP e do PSD.
O debate prolongou-se por cerca de três horas e meia.
Moção de censura ao Governo apresentada pelo CDS chumbada no Parlamento
Partidos de esquerda sem elogios para o Governo do PSA moção de censura do CDS "pelas falhas do Governo nos incêndios trágicos" do verão foi "chumbada" pelas bancadas da esquerda que apoiam o executivo que, mais do que elogios, deixaram uma série de avisos.
Foi um debate em que a líder do CDS-PP, Assunção Cristas, fez críticas contundentes ao Governo minoritário do PS liderado por António Costa, afirmando estar a dar voz "à censura popular" e que isso "vale independentemente do desfecho que venha a ter" - o "chumbo".
"Um primeiro-ministro não pode deixar de pedir desculpas em nome do Estado português", e quando o país "precisava de um estadista" encontrou em António Costa "um político habilidoso, mas sem fibra nem caráter", acusou.
Ao contrário do que aconteceu noutros debates parlamentares, mais acalorados, Costa não respondeu diretamente a este tipo de acusações.
Assunção Cristas insistiu na ideia de que "o Governo falhou duplamente" sem comando nem capacidade de ação na Administração Interna e na Autoridade Nacional de Proteção Civil, nos incêndios de Pedrógão Grande, em junho, e na zona Norte e Centro, a 15 e 16 de outubro.
Na abertura do debate, António Costa apresentou as medidas aprovadas no sábado, no Conselho de Ministros extraordinário, de ordenamento das florestas, prevenção e combate aos incêndios, e defendeu um "imprescindível" consenso político.
E deu a garantia de que o Governo terá a "flexibilidade necessária" para introduzir alterações no Orçamento do Estado de 2018 (OE2018) de modo a garantir um reforço das ações contra incêndios.
O PSD, aliado do CDS no Governo anterior, foi o único a votar ao lado dos centristas e o líder parlamentar social-democrata, Hugo Soares, acusou o primeiro-ministro de falhar "nas horas difíceis" e de "incompetência, soberba e insensibilidade" na resposta aos incêndios dos últimos meses que causaram mais de cem mortos.
À esquerda, a coordenadora do Bloco demarcou-se da moção de censura do CDS e deixou alguns avisos ao executivo que apoia desde 2015. Catarina Martins chegou até a perguntar por que motivo o Governo não estava preparado para um verão que se sabia ser difícil.
O PCP atacou Assunção Cristas, alegando que também ela, enquanto ministra da Agricultura do Governo PSD-CDS, é corresponsável pelas políticas florestais.
"A tragédia dos incêndios florestais é o resultado de problemas acumulados na floresta portuguesa por décadas de política de direita", acusou o líder parlamentar comunista, João Oliveira, que pôs o PS ao lado do PSD e do CDS nessas "políticas de direita".
O mesmo tinha feito, logo nos primeiros minutos do debate, o deputado João Paulo Correia, do PS, que não viu respondido por Cristas o desafio para assumir "as suas responsabilidades" pelo que aconteceu nos incêndios do verão.
Mais institucional, o líder parlamentar do PS, Carlos César, qualificou como "impropriedade cívica" a moção de censura do CDS-PP, contrapondo que os democratas-cristãos tiveram responsabilidades governativas e deveriam antes ter apresentado propostas construtivas.
Na hora da votação, depois de três horas e meia de debate, como já anunciado, a moção de censura foi "chumbada", com os votos do PS, PCP, BE, PEV e do deputado André Silva, do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN). À direita, PSD e CDS votaram a favor da queda do Governo.
Já findo o debate, nos corredores, Assunção Cristas colocou a questão numa frase: a moção de censura serviu para clarificar que a "maioria das esquerdas unidas" acha que o executivo não merece condenação pela sua incompetência.
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