Sete agentes da PSP da esquadra do Rato foram detidos, em 4 de março, por suspeita de vários crimes, entre eles tortura grave, violação consumada e tentada e abuso de poder.
Os processos disciplinares que visam os agentes da PSP presos por suspeita de tortura e violação numa esquadra em Lisboa são prioritários e serão tratados "de forma mais célere", garantiu esta terça-feira o inspetor-geral da Administração Interna (IGAI).
"São processos prioritários, [...] que, pela sua relevância, têm de ser tratados de uma forma mais célere", disse Pedro Figueiredo, à margem de uma conferência sobre liderança no feminino, que decorre esta terça-feira no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, em Lisboa.
Sete agentes da PSP foram detidos, em 4 de março, por suspeitas de tortura grave, violação consumada e tentada, abuso de poder, detenção de arma proibida, ofensas à integridade física graves e qualificadas na esquadra do Rato, em Lisboa.
Na sequência das detenções, o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP ordenou a abertura de sete processos disciplinares, que, passaram, a pedido da Inspeção-Geral da Administração Interna, para este organismo, acrescentou esta terça-feira Pedro Figueiredo.
No sábado, os sete polícias ficaram em prisão preventiva por determinação do tribunal, medida de coação a que estão igualmente sujeitos outros dois agentes da PSP que, em janeiro de 2026, foram acusados pelo Ministério Público por atos semelhantes na mesma esquadra.
"O que temos agora são nove processos disciplinares e um processo de inquérito", todos conexos entre si, resumiu esta terça-feira o inspetor-geral.
O processo de inquérito decorre em colaboração com a PSP e, em 25 de fevereiro, Pedro Figueiredo precisou na Assembleia da República que a investigação incide sobre "situações laterais, designadamente quem assistiu" aos vídeos "absolutamente horrendos do que se terá passado na esquadra do Rato".
Questionado se poderão estar em causa cerca de 70 polícias, como foi noticiado em 09 de março pelo jornal Correio da Manhã, o inspetor-geral respondeu que "é um número que assusta, mas que está em investigação" no âmbito do processo de inquérito.
O caso foi denunciado pela própria PSP e os dois agentes detidos em julho de 2025 são suspeitos de, segundo a acusação deduzida em janeiro, terem agredido e sodomizado pessoas detidas e filmado e partilhado vídeos dos abusos em grupos de polícias no WhatsApp.
As vítimas terão sido sobretudo toxicodependentes, pessoas sem-abrigo e estrangeiros.
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