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Duzentos burlados com Cartas da Nigéria

Duzentas pessoas, alimentadas pela cobiça, caíram que nem patinhos, de Janeiro a Outubro deste ano, no esquema das burlas ‘Cartas da Nigéria’. Um dos autores foi agora detido pela Polícia Judiciária, na área da Grande Lisboa. A primeira detenção do género em Portugal e uma das primeiras na própria União Europeia.
21.12.04
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O suspeito, de nacionalidade nigeriana, está, segundo a Polícia Judiciária, directamente implicado na prática de fraudes internacionais, com recurso às ‘cartas nigerianas’ na vertente das lotarias internacionais.
Na operação policial, denominada ‘4-1-9’ foi apreendida toda a logística informática utilizada na prática criminosa, desde computadores, a faxes, impressoras e ‘scanners’, entre outros.
As ‘Cartas da Nigéria’ são um esquema fraudulento conhecido há cerca de 16 anos e que, com a popularização da internet, tem ganhado novos contornos. Neste caso, a fraude consistia no contacto com pessoas, empresas ou organizações, a quem se prometia um negócio rentável através da transferência de quantias avultadas para um ‘paraíso fiscal’. Para tal solicitavam a ajuda da vítima, alegando que a pessoa premiada é uma personalidade pública, geralmente membro do governo nigeriano, a quem não convinha a publicidade sobre o prémio. Só que a lotaria em causa nunca existiu.
Mas muitos outros argumentos são também usados pelos burlões para os seus fins (ver caixa). Houve um caso mesmo em que as vítimas, de nacionalidade portuguesa, foram aliciadas a um encontro na Nigéria, em que levavam o dinheiro da comissão, acabando por serem assaltadas e agredidas.
As vítimas, previamente seleccionadas, são geralmente quadros médios/altos como engenheiros, médicos ou advogados. O anúncio do suposto prémio de lotaria chega à potencial vítima através de uma comunicação imprevista, maioritariamente por ‘e-mail’, podendo também ser por fax, correio ou telefone.
Os remetentes são normalmente indivíduos que se intitulam cidadãos africanos e fazem frequentes referências a lotarias de países europeus, como Reino Unido e Holanda, de modo a tentar autenticar o esquema de Lotaria Internacional virtual.
A investigação da Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira da PJ, em inquérito no DIAP de Lisboa, tentava identificar as fontes difusoras de mensagens electrónicas, anunciando prémios astronómicos de Lotarias internacionais, a troco de pagamento de comissões
Ao detido, foi aplicada a prisão preventiva como medida de coacção.
VALE TUDO PARA ENGANAR
Prémios de lotaria, ‘luvas’ de negócios estatais, transacções discretas de avultadas verbas, tudo serve para os burlões aliciarem as suas vítimas. Até o nome da viuva do presidente Mobutu, do ex- Zaire, já foi usado como chamariz.
Para a PJ, a melhor defesa contra estes crimes é não responder a este tipo de mensagens, nem facultar quaisquer tipos de elementos e detalhes, de contas bancárias ou de empresas, que posteriormente serão usados para outras burlas.
Igualmente o envio de documentos e fotocópias identificativas ou de logótipos empresariais, não é nada recomendável. Os encontros com os burlões, em particular em países africanos também são fortemente desaconselhados.

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