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Extrema-direita ameaça brasileiros

A segurança dos brasileiros que imigraram para Vila de Rei não está garantida. O receio é da governadora civil de Castelo Branco, a propósito da manifestação marcada para amanhã, na localidade, pelo Partido Nacional Renovador (PNR).

12 de maio de 2006 às 00:00

Alzira Serrasqueiro disse ontem que, de acordo com a lei, “a manifestação foi autorizada pela Câmara de Vila de Rei”, e que “a segurança vai ser reforçada”. Mas as autoridades esperam conflitos, e segundo a governadora civil, “pode estar em causa a segurança do grupo de cidadãos estrangeiros”.

A GNR vai reforçar o efectivo do posto local e fazer uma “vigilância máxima” à manifestação organizada a partir de Lisboa pelo PNR de protesto contra a iniciativa da autarquia de apoiar a fixação de 14 cidadãos brasileiros que já vivem em Vila de Rei. O objectivo da câmara é fixar 50 famílias imigrantes.

É o primeiro protesto de rua de que há memória no concelho e, no contexto actual, as autoridades receiam que aos manifestantes do PNR se juntem outros portugueses da região, que também não concordam com a presença dos brasileiros. Os manifestantes do PNR – que deverão rondar os 150 – partem de Lisboa às 14 horas e a manifestação está marcada para as 17 horas. As autoridades policiais estão a recolher informação sobre como vai decorrer o protesto. Mas, seja como for, o tenente-coronel Hélder Almeida, comandante do distrital da GNR de Castelo Branco, garante que terá “um dispositivo capaz de manter a segurança e a ordem pública”. O oficial está convencido que “vai ser uma manifestação ordeira e pacifica”. Se não for, a GNR “vai agir em conformidade”.

“Não somos contra a imigração, mas sim contra a substituição demográfica do Interior português, para que em breve não tenhamos situações como a do Kosovo”, diz ao CM José Pinto Coelho, presidente do PNR. ”Estamos perante exploração capitalista selvagem. O que a presidente da câmara quer é mão-de-obra barata a 400 euros por mês”.

Em Vila de Rei, os habitantes aguardam a manifestação com expectativa, até porque é um acontecimento inédito. “Nunca fizemos nenhuma manifestação”, diz o vice-presidente da autarquia, Ricardo Aires, que não vê qualquer problema no protesto. “Estamos num país democrático e o PNR também tem responsabilidades políticas”.

“Não tenho nada contra a manifestação. Só espero que não haja problemas e pancadaria”, diz Afonso Nunes, de 74 anos, considerando que não é justo “atacar os brasileiros, que só vieram à procura de melhores condições de vida”. Isabel Santos, de 32 anos, só condena a manifestação “se tiver um cariz xenófobo”. “Se é para isso, não serão bem-vindos”.

"CAUSA ALGUMA TRISTEZA"

As famílias oriundas de Maringá, no Brasil, vivem na aldeia de S. João do Peso, arredores de Vila de Rei, desde a semana passada e não estão “preocupadas” com a manifestação prevista. “Por aquilo que me explicaram, o protesto nada tem a ver connosco. Há milhares de brasileiros legalizados em Portugal. Não sei porque é que 14 estão a causar tanta confusão”, diz Cecília Fraga, porta-voz dos novos residentes de Vila de Rei. “Nós estamos muito tranquilos”.

Pedro Luís Oliveira, de 49 anos, que já começou a trabalhar na restauração, diz que o protesto causa-lhe “alguma tristeza”, mas não tem “nada contra”. “Portugal é um País democrático, mas os manifestantes têm que compreender que todas as pessoas têm direitos e merecem ser respeitadas”, desabafa o imigrante brasileiro, junto à creche municipal, onde foi buscar o seu filho. Os cidadãos brasileiros recém-chegados a Vila de Rei foram ontem ao Consulado do Brasil, em Lisboa, para tratar de assuntos relacionados com a sua documentação.

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