José António Tadeia, o militar da GNR preso por organizar orgias com crianças, sempre foi visto como um homem agressivo. As relações amorosas que mantinha, quer com a mulher, quer com a amante Paula Relvas – sua cúmplice nos crimes –, eram muito conflituosas, e o militar pedófilo chegou a agredir ambas. O GNR de Idanha-a-Nova, de 43 anos, conseguiu, no entanto, que as queixas fossem retiradas.
"A Paula apresentou queixa contra o militar há dois anos, chegou inclusive a pedir ajuda à APAV, mas entretanto ele convenceu-a a desistir. A mulher dele também já tinha sido agredida algum tempo antes, também ela foi às autoridades, mas depois não deu em nada", contou ao CM uma moradora, que mantém uma boa relação com as duas mulheres.
Paula Relvas, de 30 anos, chegou ainda a tentar suicidar-se por duas vezes. A relação que mantinha com o GNR pedófilo - que fez várias vítimas, estando só quatro identificadas - é descrita por amigos como "doentia". "A Paula dizia que gostava muito dele, mas quando se zangavam ele batia-lhe muito e ela chegou a tentar acabar com a própria vida. A mãe dela sempre se mostrou contra a relação e chegou a comentar que o José António andava a ameaçar a filha", contou ainda a mesma testemunha.
Esta terá sido, aliás, a versão que Paula, que ficou em prisão domiciliária, contou às autoridades. Alegou que era coagida e forçada a levar as menores para a garagem de sua casa, local onde decorriam as orgias. A PJ está agora a tentar identificar mais vítimas e estima que sejam pelo menos uma dezena. Duas das menores já identificadas pelas autoridades têm agora 17 anos, uma 15 e outra 14.
FAZIA LIMPEZAS NO POSTO
A trabalhar há já três anos na pizaria Helana, em Idanha-a--Nova, Paula Relvas, que tem um filho, começou a fazer limpezas no posto da GNR onde trabalhava José António Tadeia. Foi, aliás, o próprio militar que conseguiu arranjar emprego para a amante.
"Há uns meses, a Paula começou a fazer limpezas no posto, foi uma forma que o José António arranjou para a manter por perto e controlar os seus passos", contou uma amiga de Paula.
O caso era já comentado em Idanha-a-Nova antes da prisão do casal, e muitos foram os moradores que ficaram revoltados com a situação.
"Toda a gente achou muito estranho, e isso também não agradou aos outros militares que trabalham no posto. Mas acabaram por aceitar", contou a mesma amiga.
PASSAVA A IDEIA DE QUE NUNCA SERIA APANHADO
José António Tadeia tinha um grande sentimento de impunidade. Acreditava que, sendo militar da GNR, nunca iria ser apanhado e passava essa mesma ideia às menores abusadas. Terá sido, aliás, esse um dos motivos principais que levaram a que as menores não denunciassem os abusos. Pensavam que ninguém iria acreditar nelas e que o militar iria conseguir escapar facilmente.
Em Idanha-a-Nova, muitos suspeitavam já dos crimes. Alguns moradores tinham mesmo já visto crianças a entrarem na moradia de Paula Relvas, na garagem da qual ocorriam as orgias sexuais.
"HÁ AQUI MUITA MENTIRA, A PJ VAI DESCOBRIR"
O Correio da Manhã confrontou ontem a mulher de José António Tadeia com o facto de esta ter sido alvo de agressões. A professora primária recusou, no entanto, falar do assunto e desligou o telemóvel, mas minutos antes, um cunhado de António tinha já reforçado que a família acredita na sua inocência.
"Há aqui muita mentira, mas a Polícia Judiciária vai descobrir, confiamos no trabalho deles", disse.
Nas redes sociais, outros familiares tinham também deixado mensagens, dando conta de que a verdade mais tarde ou mais cedo irá ser reposta.
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