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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Português baleado em França está em coma, com bala alojada no cérebro

Renato Silva chegou a ser dado como morto no atentado que fez quatro mortos e 16 feridos.

23 de março de 2018 às 22:41

O emigrante português Renato Silva, baleado pelo terrorista Redouane Lakdim na sexta-feira, está internado em estado crítico no hospital de Perpignan em França. O jovem de 26 anos está em coma e luta pela vida, após ter sido atingido com um tiro na cabeça em Carcassonne, no sul de França.

Renato Silva encontra-se em coma induzido e com prognóstico reservado, segundo o secretário de Estado das Comunidades, que visitou este sábado a família da vítima.

Em declarações à agência Lusa, José Luís Carneiro adiantou ainda que o jovem, natural da zona de Coimbra e com 26 anos, tem uma bala alojada no cérebro.

O governante refere que a vítima está numa unidade de neurocirurgia em coma induzido, devendo assim permanecer durante alguns dias, enquanto são realizados exames e avaliações médicas.

Morte anunciada por engano

Na noite desta sexta-feira, José Luís Carneiro desmentiu a existência de qualquer vítima mortal de nacionalidade portuguesa no ataque terrorista no sul de França. José Luís Carneiro tinha confirmado a existência de uma vítima nacional no ataque que causou quatro mortes, entre os quais o atacante, e 16 feridos. Carneiro justificou o erro – que levou Marcelo Rebelo de Sousa a enviar pêsames – com uma informação incorreta fornecida pelas autoridades policiais franceses.

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O secretário de Estado aponta a existência de uma "vítima portuguesa que está gravemente ferida no hospital", referindo-se a Renato Silva.

Marcelo Rebelo de Sousa comentou o caso este sábado, dizendo que falou, na noite de sexta-feira com o pai da vítima: "Há uma boa notícia, a de que, felizmente, a vítima está viva, mas, infelizmente, está em estado muito grave no hospital", revelou o Presidente da República.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, também se referiu ao caso este sábado, confirmando que a informação sobre a morte de Renato Silva veio da polícia francesa, que depois corrigiu a informação.

Filho de emigrantes estudou em Coimbra

Uma amiga de Renato Silva, o jovem de 26 que se juntou aos pais emigrantes em França depois de ter completado os estudos em Coimbra, revelou ao CM que o português terá sido atingido com uma bala num olho e foi transportado de helicóptero para o hospital de Perpignan, onde se encontra em coma.

Manuel Correia, outro amigo da família do jovem, contou ao CM que o português seguia no carro que foi intercetado pelo terrorista armado. Viajavam duas pessoas na viatura, uma das quais o português. O jovem, que se encontra a lutar pela vida, é filho de emigrantes lusos em França, mas esteve a estudar em Coimbra, tendo regressado a França há dois anos. Estaria a fazer um estágio em Carcassonne. No momento em que foi atacado, os dois ocupantes da viatura iam a caminho de uma padaria.

Os ataques ocorreram em Carcassonne e Trèbes, no sul de França e provocaram quatro mortos, incluindo o atacante, que foi abatido pelas autoridades, 16 feridos, dos quais dois graves, segundo o Presidente, Emmanuel Macron.

Redouane Lakdim, 26 anos, sequestrou trabalhadores e clientes num supermercado de Trèbes, afirmando agir em nome do grupo extremista Daesh.

Marcelo lamenta "estado muito grave" do português ferido

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou hoje o "estado muito grave" em que se encontra o português que foi vítima do ataque terrorista ocorrido na sexta-feira em Carcassonne e Trèbes, no sul de França.

"Por um lado, felizmente não se confirmou que fosse uma vítima mortal [como chegaram a anunciar as autoridades francesas], por outro lado, infelizmente, está num estado muito grave", referiu.

À margem de uma iniciativa de limpeza florestal em Terras de Bouro, no distrito de Braga, Marcelo Rebelo de Sousa disse que já falou com o pai da vítima portuguesa e que esta se encontra "em coma induzido".

O chefe de Estado referiu ainda ter enviado ao Presidente francês, Emanuelle Macron, "em nome do povo português".

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