Quando há eleições legislativas ou autárquicas, nesse ano registam-se mais fogos florestais e a área ardida é maior do que a média. Uma análise aos dados sobre os incêndios, desde 1980, permite ainda concluir que os anos em que se escolhe o Governo são os piores.
Jaime Soares, presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Coimbra, já tinha noção desta realidade. "São momentos de maior instabilidade e emocionalidade, que contribuem para essa situação", explica ao CM. Uma opinião idêntica à de outros responsáveis pela Protecção Civil e autarcas.
Em 27 anos (1980-2007) houve sete eleições autárquicas. Nestes períodos, os fogos florestais foram superiores à média em 6,68% e a área ardida também cresceu (4,54%). Nos nove anos em que foram escolhidos os governos, a área ardida subiu (16,8%), mas o número de ocorrências desceu (2,86%). E os anos de 1985 e 2005, em que as duas eleições coincidiram, foram dos piores de sempre – com 146 254 e 312 829 hectares de área queimada, respectivamente.
Para Jaime Soares, também presidente da Câmara de Poiares, estes dados "não significam, obviamente, que haja um envolvimento dos partidos ou dos políticos. O que acontece é que há pessoas mal formadas, que por desavenças ou maldade" decidem incendiar as florestas.
Os dados mostram que nos anos de eleições se registam, na maioria dos casos, mais incêndios – e, em metade das situações, maior área destruída do que nos anos imediatamente anteriores. Uma tendência reforçada este ano, já que vão realizar-se os dois escrutínios e a área ardida já é superior à do mesmo período de 2008.
"VAMOS TER UM VERÃO DIFÍCIL"
Este ano, muito provavelmente, "vamos ter um Verão difícil" a nível de incêndios. Quem o admite é o próprio secretário de Estado das Florestas, Ascenso Simões, que ontem esteve em Faro na tomada de posse da Comissão Distrital de Defesa da Floresta Contra Incêndios.
O governante confirmou, a par da governadora civil de Faro, que "há estatísticas que indicam que há mais incêndios em anos de eleições". A nível de prevenção, Ascenso Simões alertou para o facto de a GNR não poder "andar a fazer autuações a proprietários e as autarquias a olharem para o lado".
ATEARAM DEZ INCÊNDIOS
A PJ do Norte e a GNR detiveram dois jovens de 19 anos, ajudantes de cozinha, que terão ateado intencionalmente uma dezena de fogos na última noite de 24 para 25, em três freguesias de Resende. Estavam embriagados e usaram um isqueiro. Os fogos foram ateados em florestas junto a casas.
APONTAMENTOS
12% DES EXPORTAÇÕES
Segundo o secretário de Estado Ascenso Simões, a floresta portuguesa vale três por cento do PIB e representa 12% das exportações portuguesas, "um valor superior às empresas Autoeuropa e Qimonda juntas".
CAMPANHA NA PÁSCOA
Para prevenir os incêndios, o secretário de Estado anunciou que vai ser lançada uma campanha na Páscoa, alertando a população para a necessidade de limpeza dos terrenos que circundam as suas habitações.
FOGOS FLORESTAIS
TOTAL DE FOGOS REGISTADOS ENTRE 1980 e 2007: 504334
Média anual : 18012
ÁREA TOTAL ARDIDA ENTRE 1980 e 2007: 3128099
Média anual : 111717
TOTAL DE FOGOS NOS NOVE ANOS EM QUE HOUVE ELEIÇÕES LEGISLATIVAS: 157460
Média anual: 17496
Variação em relação à média 1980-2007: - 2,86%
ÁREA ARDIDA NOS NOVE ANOS EM QUE HOUVE ELEIÇÕES LEGISLATIVAS: 1174535
Média anual : 130504
Variação em relação à média 1980-2007: 16,8%
TOTAL DE FOGOS NOS SETE ANOS EM QUE HOUVE ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS: 134 521
Média anual: 19217
Variação em relação à média 1980-2007: 6,68%
ÁREA ARDIDA NOS SETE ANOS EM QUE HOUVE ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS: 817540
Média anual: 116791
Variação em relação à média 1980-2007: 4,54%
ANOS EM QUE ARDEU MAIS QUE NO IMEDIATAMENTE ANTERIOR:
LEGISLATIVAS – 1980; 1983; 1985; 1987; 1991; 1995; 1999, 2002, 2005
AUTÁRQUICAS – 1982; 1985; 1989; 1993; 1997; 2001; 2005;
ANOS EM QUE HOUVE MAIS FOGOS QUE NO IMEDIATAMENTE ANTERIOR:
LEGISLATIVAS – 1980; 1983; 1985; 1987; 1991; 1995; 1999, 2002, 2005
AUTÁRQUICAS – 1982; 1985; 1989; 1993; 1997; 2001; 2005;
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