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Treze No Name Boys na prisão

“Cometeram crimes gravíssimos a coberto da claque”, disse juiz Renato Barroso durante a leitura do acórdão, que pôs condenados e amigos a chorar.
29.05.10
Treze No Name Boys na prisão
Muitos familiares e amigos aguardaram na rua pela leitura da sentença. A revolta e a consternação eram visíveis e muitos não se coibiram de o demonstrar para as câmaras fotográficas Foto Mariline Alves

Foi pesada a mão da Justiça que ontem condenou a prisão efectiva, por cúmulo jurídico, 13 dos 37 arguidos no processo do núcleo-duro dos No Name Boys, claque não legalizada do Sport Lisboa e Benfica. António Claro, 12 anos de prisão, Hugo Caturna, oito anos e seis meses, e José Pité Ferreira, sete anos – considerados os cabecilhas do grupo –, foram os arguidos condenados às penas mais pesadas.

O colectivo de juízes da 5ª Vara do Tribunal Criminal de Lisboa, presidido pelo juiz Renato Barroso, considerou 'injustificáveis e incompreensíveis' os comportamentos e as atitudes dos arguidos, que 'revelaram uma personalidade distorcida e desadequada à comunidade' e que 'a coberto da claque cometeram crimes gravíssimos'. O juiz Renato Barroso acrescentou que 'houve uma grande gratuitidade dos arguidos nos actos que praticaram, que eram injustificáveis, sobretudo os cometidos sobre pessoas que não conheciam'.

Entraram 37 arguidos acusados de associação criminosa, tráfico de droga, ofensas qualificadas à integridade física, danos com violência, posse de armas brancas e de guerra, distribuição irregular de bilhetes, tráfico de armas e incêndio, entre outros crimes, e saíram 13 condenados por todos os crimes de que eram acusados menos um, o crime de associação criminosa, que o colectivo de juízes não deu como provado.

Nenhum dos arguidos foi condenado pelo crime de associação criminosa, porque o colectivo de juízes considerou que a claque 'não foi criada para cometer crimes e apenas alguns elementos cometeram crimes'.

A leitura do acórdão não foi pacífica e teve mesmo de ser abreviada dada a extensão do documento. Às primeiras condenações proferidas pelo juiz, amigos e familiares dos arguidos não contiveram as lágrimas e o choro convulsivo. Algumas das pessoas tiveram mesmo de sair da sala, perante o olhar controlador dos agentes que reforçaram ontem o policiamento no Campus da Justiça. Percebeu-se que ninguém esperava penas tão pesadas. À porta do tribunal, eram muitos os amigos e familiares que aguardavam por notícias e que reagiram com consternação e revolta.

O tribunal determinou ainda o pagamento de uma indemnização de 11 mil euros ao Estado, pela gravidade dos crimes praticados.

BENFICA DIZ QUE PROBLEMA DEVE SER RESOLVIDO PELA JUSTIÇA

Contactada pelo CM, fonte oficial do Benfica escusou-se a tecer comentários sobre o acórdão proferido ontem contra vários elementos da claque encarnada – nunca oficializada formalmente pelo clube da Luz. 'É um problema que tem de ser resolvido apenas pela Justiça', foi a única declaração.

Tal como o CM noticiou na ocasião, o Benfica sempre assegurou que os No Name Boys não tinham instalações próprias na Luz mas existem fotografias no processo a comprovar a utilização da ‘casinha’ pela claque. Recorde-se também que, na altura das detenções, a PSP efectuou buscas na sede dos No Name Boys.

Luís Filipe Vieira também foi visado pelo relatório policial da altura, que acusava o presidente do clube de dar apoio às claques, nomeadamente na cedência de bilhetes a preços reduzidos e na autorização da entrada de tochas no estádio.

PENAS APLICADAS

CONDENADOS A PENA EFECTIVA

António Claro -  12 anos: Tráfico de droga, ofensas à integridade física e danos com violência.

Hugo Caturna - 8 anos e meio: Tráfico de droga, ofensas à inte-gridade física, danos com violên-cia e incêndio.

José Pité Ferreira -  7 anos: Tráfico de droga, ofensas à integridade física e danos com violência.

Nélson Grilo -  6 meses: Tráfico de droga, ofensas à integridade física e danos com violência.

Ricardo Santos - 5 anos e meio: Tráfico de droga, ofensas à integridade física e danos com violência.

José Almeida - 6 anos: Tráfico de droga, ofensas à integridade física e danos com violência.

Alexandre Graça - 6 anos e meio: Tráfico de droga, ofensas à integridade física e danos com violência.

Bruno Ferreira - 7 anos: Tráfico de droga, ofensas à integridade física e danos com violência.

Nuno Fernandes - 4 anos e meio: Tráfico de droga, ofensas à integridade física e danos com violência.

Nuno Almeida - 5 anos e meio: Tráfico de droga, ofensas à integridade física e danos com violência.

Pedro Taranta - 4 anos e meio: Tráfico de droga, ofensas à integridade física e danos com violência.

Ricardo Ventura - 2 anos: Tráfico de droga, ofensas à integridade física e danos com violência.

Valter Ribeiro - 5 anos: Tráfico de droga, ofensas à integridade física e danos com violência.

CONDENADOS A PENA SUSPENSA

Sónia Fernandes e Sandro Pires - 4 anos e meio

Humberto Possante - 4 anos

Carlos Pargana - 3 anos

Tiago Lopes - 2 anos e 9 meses

Fábio Santos - 2 anos e 8 meses

Agostinho fontes, Hugo Santos, Pedro Rodrigues, Mário Martinho e Ricardo Duarte - 1 ano e meio

Bruno Cardoso e Pedro Salgado - 2 anos e 3 meses

Rui Moura, André Lago e Guilherme Beon - 2 anos 

ABSOLVIDOS

Paulo Soares, Vera Lima, Sandro Branquinho, Marco Oliveira, Rúben Rodrigues, Adriano Pité, Mário Dias e Tiago Bessa.

'PENAS FORAM DURÍSSIMAS'

Os advogados de vários dos 13 condenados a penas de prisão efectiva vão recorrer da sentença. Consideram que, com as penas aplicadas, os juízes quiseram passar uma mensagem às outras claques.

Carlos Mouro Pereira, advogado de António Claro, o arguido com a pena mais pesada, considerou que 'as penas foram duríssimas' e que 'a mensagem que foi passada é que se forem apanhados [elementos de outras claques], apanharão pela medida grossa'.

ESCONDIAM 11 KG DE DROGA E ARMAS

A operação desencadeada na madrugada de 16 de Novembro de 2008, pelo Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa, que coordenou a Divisão de Investigação Criminal da PSP, levou à detenção, inicialmente, de 30 pessoas e à apreensão de armas e de cerca de 11,5 quilogramas de haxixe.

Em casa dos detidos foram encontrados três armas de fogo e munições de vários calibres, três réplicas de armas de fogo, quatro soqueiras, cinco embalagens de gás de defesa, três bestas, três armas eléctricas , quatro bastões extensíveis e seis tacos de basebol.

Vário material pirotécnico, designadamente nove tochas, cinco potes de fumo e um very-light, foi também encontrado. As autoridades apreenderam ainda seis viaturas, 15 343 euros, 115 gramas de cocaína, 70 gramas de ecstasy e 187 gramas de liamba.

Na altura, o intendente Dário Prates, Comandante da Divisão de Investigação Criminal, afirmou que o grupo 'funcionava como um gang', com 'acções de violência bem organizadas'.

ADEPTOS: NO NAME TÊM 18 ANOS

A claque No Name Boys foi formada em Março de 1992 por muitos dissidentes dos Diabos Vermelhos. Só mais tarde a claque começou a envolver-se em confrontos com outras rivais

38.º ARGUIDO: SEM JULGAMENTO

Tiago Martins era inicialmente arguido mas não foi julgado porque os crimes de que era acusado não foram provados durante o debate instrutório. Assim, só 37 arguidos foram julgados

JUIZ: ADEPTO DO FC PORTO

O magistrado Renato Barroso, que presidiu ao colectivo de juízes, é sócio do FC Porto e já presidiu mesmo à Mesa da Assembleia Geral da Casa do FC Porto em Lisboa

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