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Sindicato recusa parar protesto e fica fora de reunião negocial com Ministério da Educação

Alexandre Homem Cristo afirma que o protesto representa uma forma de pressão enquanto decorrem as negociações e que "o Governo não pode negociar sobre pressão".

02 de março de 2026 às 17:48

O Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (Stop) não vai participar na reunião negocial desta segunda-feira, depois de o Governo ter avisado que não aceitaria receber o sindicato enquanto décorresse o protesto, ultimato que os docentes recusaram.

O primeiro encontro da ronda negocial desta segunda-feira, sobre o Estatuto da Carreira Docente (ECD), estava agendado para as 15h00, com a participação de cinco das 12 organizações sindicais, incluindo o Stop que, no fim de semana, anunciou um plenário com concentração em frente à sede do Ministério da Educação, Ciência e Educação, em Lisboa.

Pelas 14h30, concentravam-se em frente ao Ministério da Educação pouco mais de uma dezena de docentes, número que foi gradualmente aumentando, e durante quase duas horas ouviram-se palavras de ordem como "A escola unida jamais será vencida", "O ECD é um direito, sem ele nada feito" e "Está na hora de o ministro ir embora".

Após uma hora a aguardar o início da reunião, a delegação do Stop foi chamada pelo secretário de Estado e Adjunto da Educação, Alexandre Homem Cristo, que informou que não aceitaria negociar com aquele sindicato enquanto o protesto estivesse a decorrer.

Alexandre Homem Cristo disse à Lusa que o protesto representa uma forma de pressão enquanto decorrem as negociações e que "o Governo não pode negociar sobre pressão".

"Fizemos um ponto de situação sobre a nossa perspetiva, pedimos que tomassem uma decisão sobre se querem participar nas negociações nos termos como devem acontecer, num espírito de boa-fé entre as partes, e o Stop decidirá", disse o governante.

Perante algumas dezenas de professores àquela hora concentrados na Avenida Infante Santo, a direção do Stop quis ouvir a vontade dos manifestantes, que decidiram não interromper o protesto, deixando assim o sindicato de fora das negociações.

"Hoje, dá-se mais um passo não democrático", criticou o dirigente do Stop Daniel Martins, acusando o executivo de não conseguir realizar uma reunião "enquanto tem a democracia a funcionar".

Recordando processos negociais anteriores em que as reuniões se realizaram com protestos a decorrer em frente ao Ministério da Educação, Daniel Martins sublinhou que a força da democracia assenta na possibilidade de os cidadãos poderem "manifestar as suas opiniões da forma que podem".

"Na escola há muito barulho e os professores sabem lidar com isso. Este Governo, pelos vistos, não sabe lidar com isso, logo, não sabe lidar com a escola pública", acrescentou.

Questionado sobre o motivo do protesto, que, segundo o dirigente sindical, foi decidido em plenário por centenas de docentes, Daniel Martins explicou que, no entender do sindicato, as propostas até agora apresentadas pelo Governo estão a diluir a especificidade da carreira docente, não preveem qualquer medida de valorização da escola pública e põem em causa a qualidade da escola pública.

A primeira das quatro reuniões agendadas para esta segunda-feira entre o Governo e os sindicatos de professores começou já depois das 16:00, mais de uma hora após inicialmente previsto e sob o barulho das buzinas, apitos e palavras de ordem dos manifestantes.

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