Estudo salienta que autocuidados não se posicionam como uma alternativa indiscriminada aos cuidados médicos, mas sim como parte de um modelo mais eficiente de utilização dos recursos de saúde.
A adoção de autocuidados permite uma poupança anual estimada em 9,6 mil milhões de euros, perto de metade dos quais de custos evitados para o SNS, mas os portugueses apresentam ainda níveis insuficientes de literacia em saúde.
A conclusão consta de um estudo que a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) apresenta esta quarta-feira em Lisboa e que salienta que os autocuidados não se posicionam como uma alternativa indiscriminada aos cuidados médicos, mas sim como parte de um modelo mais eficiente de utilização dos recursos de saúde.
"Quando extrapolado para a população, o autocuidado já gera uma poupança anual estimada de cerca de 9,6 mil milhões de euros, dos quais 47% correspondem a custos evitados para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e 53% a despesas evitadas pelos cidadãos", refere o documento.
De acordo com a análise da Apifarma, que se centra em problemas de saúde ligeiros e de curta duração, que não exigem diagnóstico médico nem intervenção clínica intensiva, cada aumento de um ponto percentual na adoção de autocuidados poderá gerar cerca de 239 milhões de euros adicionais por ano.
Para além dos custos diretos, o estudo concluiu que os autocuidados contribuíram para ganhos ao nível do tempo e da produtividade, refletidos numa taxa de absentismo de 7%, significativamente inferior à de 36% do recurso ao médico, e numa menor interrupção da atividade profissional.
Já do ponto de vista do sistema, "estima-se que cerca de 39% das consultas de medicina geral e familiar poderiam ser geridas através de autocuidado", correspondendo a um "potencial relevante de otimização da utilização" de recursos e de melhoria da capacidade de resposta, concluiu ainda o documento.
O estudo salienta que os autocuidados assumem, por isso, um papel crescente enquanto componente complementar do sistema de saúde, permitindo a gestão de problemas de saúde ligeiros através da utilização de medicamentos e outros produtos disponíveis sem receita médica.
Ao nível do sistema de saúde, o documento realça que os autocuidados podem desempenhar um papel importante na otimização da utilização de recursos, através da possibilidade de gerir de forma autónoma, ou com o apoio de um farmacêutico, situações de saúde ligeiras que podem contribuir para reduzir a pressão sobre os cuidados de saúde primários e os serviços de urgência.
Os resultados indicam que esta solução já apresenta uma "expressão relevante em Portugal", uma vez que 55% das pessoas optam por esta abordagem como primeira resposta, sendo que, em 79% dos casos, os sintomas são totalmente resolvidos e apenas 1% necessita de recorrer posteriormente ao médico.
Apesar desta base favorável, o documento alerta que persistem limitações que condicionam o desenvolvimento pleno dos autocuidados em Portugal, apontando os exemplos das lacunas na disponibilidade de soluções sem receita médica para determinadas situações clínicas, ausência de modelos estruturados de intervenção farmacêutica e níveis ainda insuficientes de literacia em saúde.
Perante isso, o reforço dos autocuidados exige uma abordagem integrada, que passa pelo desenvolvimento da literacia em saúde, enquanto fator crítico de capacitação dos cidadãos, e pela melhoria do acesso e integração no sistema de saúde, defende o estudo.
Refere ainda que, em 2023, Portugal apresentou a taxa mais elevada de utilização dos serviços de urgência da União Europeia, com uma parte significativa destes episódios a corresponder a situações não urgentes, refletindo dificuldades de acesso, mas também desafios ao nível da literacia em saúde e da capacidade de reconhecer situações que efetivamente requerem cuidados diferenciados.
Este estudo envolveu três inquéritos distintos dirigidos à população em geral (amostra de 2.671 pessoas), a médicos de medicina geral e familiar (203) e a farmacêuticos comunitários (192).
No total, 92% dos inquiridos reportaram ter tido pelo menos um problema de saúde ligeiro no último ano e, entre as condições mais prevalentes, destacaram-se a constipação, gripe ou tosse, reportada por cerca de metade dos inquiridos, seguida de dor de cabeça ou enxaqueca e de dores musculares ou articulares. Ainda entre os problemas mais comuns surgiram a dificuldade temporária em dormir ou stress ligeiro e a irritação ou dor de garganta.
"O momento atual apresenta uma oportunidade clara para evoluir de um modelo onde o autocuidado existe de forma dispersa para um modelo onde é reconhecido, estruturado e integrado no sistema de saúde, assumindo-se como uma alavanca efetiva de eficiência, sustentabilidade e melhoria da qualidade de vida da população", concluiu o estudo.
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