Mais de cem médicos colombianos foram contratados pelo Ministério da Saúde para fazerem consultas de medicina geral e familiar nos Centros de Saúde em Portugal. Os primeiros clínicos chegam nos próximos dias, segundo apurou o CM.
A maioria será integrada nos Centros de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, uma das regiões mais carenciadas de médicos devido ao número de clínicos que pediram a reforma antecipada em 2010.
Quando chegarem, os médicos não podem exercer logo funções. Têm de pedir o reconhecimento da licenciatura a uma Faculdade de Medicina. Se o não conseguirem, terão de o obter de uma universidade da União Europeia. Depois, inscrevem-se na Ordem dos Médicos, na qual farão uma prova de comunicação médica, oral e escrita, para testar os conhecimentos linguísticos. Todo este processo burocrático pode demorar mais de um mês.
O alto dirigente da Saúde, que se deslocou à Colômbia e acompanhou de perto a contratação dos médicos, escusou-se a prestar esclarecimentos quanto às condições da contratação, remetendo-os para a tutela. O gabinete de Comunicação do Ministério da Saúde afirmou que "não efectuou contrato com nenhum médico colombiano para trabalhar no Serviço Nacional de Saúde". Não referiu se a contratação foi feita directamente com o governo colombiano.
Outras contratações polémicas envolveram, em 2008, 15 médicos uruguaios que receberam formação antes de trabalhar no Instituto Nacional de Emergência Médica e 44 médicos cubanos, em 2009, por receberem 500 euros de salário e entregarem 2000 euros por mês ao governo de Cuba.
A contratação destes médicos tem a duração de três anos.
Luís Afonso, vice--presidente do Conselho Directivo da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo afirmou ao CM que "os médicos colombianos são especialistas em medicina geral e familiar, têm boa formação e vão para as unidades com maiores carências de recursos".
MINISTÉRIO JÁ CONTRATOU 138 APOSENTADOS
Dos 600 médicos que pediram a reforma antecipada em 2010, para escapar à penalização do agravamento das condições da reforma decretadas pelo Governo, 138 já foram contratados pelo Ministério da Saúde para continuarem a trabalhar no Serviço Nacional de Saúde por mais três anos. Ao fim dos três anos de contrato, os médicos podem voltar a pedir a reforma com as condições que teriam antes da entrada em vigor da penalização das pensões. No início de Janeiro, já tinham sido contratados 110 médicos e ontem foram mais 28 clínicos.
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