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ONU alerta sobre exploração de pessoas obrigadas a cometerem crimes informáticos

"Lista de abusos é avassaladora", afirmou o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, após a publicação do relatório.

20 de fevereiro de 2026 às 08:43

Milhares de pessoas em todo o mundo foram forçadas a trabalhar para redes de fraudes digitais, muitas delas sediadas no Sudeste Asiático, onde vivem em condições desumanas, denunciou esta sexta-feira a ONU.

O relatório do Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que inclui centenas de testemunhos de vítimas de abusos, documenta casos de tortura e maus-tratos, exploração sexual, abortos forçados, privação de alimentos e confinamento solitário, entre outras violações das liberdades fundamentais.

"A lista de abusos é avassaladora", afirmou o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, após a publicação do relatório.

Os entrevistados relataram os maus tratos cometidos em centros de fraude digitais localizados no Camboja, Laos, Myanmar, Filipinas e Emirados Árabes Unidos entre 2021 e 2025, embora a presença destas redes também tenha sido relatada em países de África e do continente americano.

As vítimas são provenientes de todo o mundo verificando-se uma presença significativa de cidadãos asiáticos. O relatório indicou também que algumas foram captadas em países europeus como França, Alemanha e Reino Unido, e de países da América Latina como Peru, Colômbia, Brasil e México. As pessoas foram forçadas a cometer fraudes através da internet que vão desde o roubo de identidade e extorsão destinadas a fraudes financeiras e burlas.

Segundo o relatório da ONU, alguns sobreviventes relataram como foram mantidos em enormes complexos que se assemelhavam a "cidades autossuficientes", com edifícios fortificados de vários andares e altos muros com arame farpado, guardados por seguranças armados e fardados.

Nestes centros ilegais, os relatos das vítimas indicaram que aqueles que não atingiam as metas mensais de fraude sofriam todo o tipo de punições. Alguns entrevistados relataram que muitos colegas perderam a vida ao tentarem escapar dos centros, caindo frequentemente de varandas e telhados, enquanto aqueles que foram capturados após tentativas de fuga foram sujeitos a castigos e maus-tratos.

Nenhum dos entrevistados recebeu o dinheiro prometido pelas redes de tráfico e fraude, que, segundo o relatório, por vezes contaram com a ajuda de polícias e guardas fronteiriços, que também ocasionalmente cometeram abusos.

Perante as alegações, o gabinete da ONU instou a implementação de operações de resgate coordenadas e seguras para as vítimas destas redes, bem como programas de reabilitação para os sobreviventes. Volker Turk, apelou à "comunidade internacional" para que actue contra este fenómeno que afeta principalmente o Sudeste Asiático, mas que se está a alastrar. Num relatório anterior, divulgado em 2023, a ONU estimou que centenas de milhares de pessoas foram recrutadas à força para praticar burlas online. 

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