Nomeadamente na anestesia e nas especialidades cirúrgicas, devido à falta de recursos humanos.
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O Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos visitou esta quinta-feira o Hospital Garcia de Orta, em Almada, onde identificou "algumas dificuldades, algumas muito graves", nomeadamente na anestesia e nas especialidades cirúrgicas, devido à falta de recursos humanos.
Em declarações à agência Lusa, o presidente do Conselho Regional do Sul (CRS) da Ordem dos Médicos, Alexandre Valentim Lourenço, disse que o hospital de Almada tem tido "constrangimentos a nível de recursos humanos que permitam responder de uma forma eficaz a todas as solicitações, o que nalgumas especialidades põe até em causa a capacidade de formar tantos internos e especialistas como tinham até à data".
"Nos últimos anos, o número de especialistas formados em algumas especialidades cirúrgicas e as capacidades do Hospital Garcia de Orta para os formar têm estado a diminuir, porque o número de cirurgias a realizar e a forma como são realizadas não é a mesma que existia há sete ou oito anos", declarou Alexandre Valentim Lourenço.
No âmbito da visita à unidade hospitalar, o presidente do CRS reuniu com a administração do Hospital Garcia de Orta que garantiu que está a resolver alguns dos problemas, transmitindo que nalgumas especialidades os problemas têm solução, mas que noutras "a redução de efetivos e de recursos não tem permitido colmatar com eficiência os serviços recorrendo a médicos do hospital", pelo que recorrem muitas vezes a empresas externas.
"A Ordem dos Médicos pensa que, na maior parte dos serviços, a utilização de empresas de recursos humanos para contratar médicos para resolver problemas nos hospitais provoca, depois, problemas ao funcionamento dos serviços", afirmou o representante do CRS, advogando que os serviços estão "muito envelhecidos nos quadros de especialistas".
Além do hospital, o CRS visitou esta quinta-feira o Centro de Saúde de Almada.
"Verificámos que a articulação com os centros de saúde é um pouco incipiente, existe, existem intenções, mas a capacidade de colocar mais urgências e mais atendimentos nos centros de saúde - num concelho onde faltam médicos de família para 40 mil utentes - faz com que muitos dos utentes recorram à urgência por questões agudas que deviam de ser resolvidas no centro de saúde e não no hospital", advogou Alexandre Valentim Lourenço, manifestando-se contra a criação de concursos para enfermeiros especialistas para os centros de saúde.
De acordo com o presidente do CRS, "são cerca de 700 enfermeiros a nível nacional, muitos na região Sul", profissionais que "estão a sair dos hospitais e a ir para os centros de saúde, deixando os hospitais desprotegidos e nos centros de saúde estão a fazer muitas vezes trabalhos em que concorrem para as funções médicas".
"Enfermeiros a realizarem funções que, normalmente, são atos médicos", apontou Alexandre Valentim Lourenço, defendendo que não se pode "substituir o trabalho médico diferenciado dos centros de saúde sob o argumento que há poucos médicos de família".
Neste âmbito, a Ordem dos Médicos propõe que o investimento nos hospitais, em termos de equipas e de projetos, seja retirada às empresas de recursos humanos que "vendem médicos a avulso" e que seja investido nos serviços e nos projetos que já existem no Hospital Garcia de Orta.
"Queremos que todo o investimento financeiro que é feito nas empresas de recursos humanos, que tapam buracos, seja canalizado para uma boa estrutura e que seja para a estrutura efetiva do hospital", reforçou o presidente do CRS.
Alexandre Valentim Lourenço defendeu ainda que as lideranças médicas devem ter capacidade de implementar projetos para resolver os problemas específicos do hospital, "e que essa capacidade seja real, ou seja, a contratação e os concursos que permitem preencher os quadros hospitalares sejam céleres, sejam imediatos e que permitam construir equipas internas dentro do hospital que, nas várias especialidades, respondam de uma forma corrente e regular".
"Isto é particularmente importante na criação de condições especiais para a anestesia e para as especialidades cirúrgicas que evitem que o hospital não responda, que tenha listas de espera muito atrasadas e que os doentes tenham que ser tratados em instituições privadas", avançou o represente da CRS da Ordem dos Médicos.
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