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Sapadores Bombeiros de Lisboa contra criação de equipas nos bombeiros voluntários

Em causa está uma recomendação do PS pela criação de EIP nos corpos de bombeiros voluntários de Lisboa, proposta que está agendada para ser discutida esta terça-feira na reunião da AML.

14 de abril de 2026 às 17:46

O Sindicato Nacional dos Bombeiros Sapadores e a Associação Nacional de Bombeiros Profissionais manifestaram esta terça-feira o "descontentamento" do Regimento de Sapadores de Lisboa quanto à proposta do PS de criar equipas de intervenção permanente nos bombeiros voluntários da cidade.

Intervindo na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), no período de intervenção aberto ao público, o presidente do Sindicato Nacional de Bombeiros Sapadores (SNBS), Ricardo Cunha, contestou a proposta do PS para criação de equipas de intervenção permanente (EIP) em cada um dos seis corpos de bombeiros voluntários da cidade, fazendo um apelo "à responsabilidade e, acima de tudo, à coerência política" dos deputados.

"Meus senhores, sejamos frontais, Lisboa é detentora do maior e mais antigo corpo de bombeiros do país, o Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa. Em mais de 600 anos de história, nunca houve necessidade de tais estruturas externas para o socorro na cidade. Hoje, com a capacidade técnica que temos, essa necessidade continua a não existir", afirmou Ricardo Cunha.

O sindicalista disse que o SNBS não é contra apoios pontuais às associações humanitárias de Lisboa, mas avisou que "esta proposta ignora o facto de que algumas destas entidades operam na cidade sem respeitar a autoridade dos sapadores e sem cumprir as normas nacionais e municipais".

"Criar EIP nessas condições é agravar conflitos e ignorar os alertas do Tribunal de Contas e da IGF [Inspeção-Geral de Finanças], que nos seus recentes relatórios já deixaram alertas claros sobre a irregularidade destes financiamentos a entidades privadas com dinheiros públicos, desaconselhando vivamente estas práticas", afirmou.

Dirigindo-se aos deputados da AML, o presidente do SNBS defendeu que o investimento no socorro deve passar pela resposta "onde a cidade mais precisa", indicando que o RSB tem "uma lista extensa de carências", com falta de investimentos em alguns equipamentos e na modernização das diversas valências operacionais.

Ricardo Cunha alertou para o estado dos quartéis do RSB, convidando os deputados a visitarem a Central de Comunicações, o Quartel de Santo Amaro e o Quartel da Encarnação, entre outros.

"Constatem com os vossos olhos a falta de condições de salubridade em que os nossos homens e mulheres trabalham. Vejam o caso do Quartel de Benfica: é uma autêntica ruína. Foi reativado à pressa após a polémica venda do quartel do Colombo, um negócio que não só nos retirou a operacionalidade, como acabou com o nosso museu", salientou.

O espólio do RSB de Lisboa, considerado "o maior espólio de bombeiros do país, de valor incalculável", segundo o presidente do SNBS, está a "apodrecer em armazéns indignos, enquanto se discute dar dinheiro público para criar equipas fora do Regimento".

"Não faz sentido criar o que não faz falta quando falta tudo naquilo que é essencial", reforçou.

Em causa está uma recomendação do PS pela criação de EIP nos corpos de bombeiros voluntários de Lisboa, proposta que está agendada para ser discutida esta terça-feira na reunião da AML.

Também intervindo na reunião da AML, o presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP), Fernando Curto, expressou o "descontentamento" do RSB de Lisboa quanto à recomendação do PS, questionando o que motiva a criação de EIP nos corpos de bombeiros voluntários e considerando que tal "não tem enquadramento" no trabalho do RSB a nível do socorro que presta na cidade.

Fernando Curto assegurou que o RSB de Lisboa "tem respondido cabalmente em todas as situações, até nas mais graves".

Neste sentido, o dirigente sindical reforçou que a ANBP e o RSB de Lisboa "nada têm contra os bombeiros voluntários da cidade, antes pelo contrário, sempre houve um trabalho conjunto", mas insistindo, no entanto, que é preciso "equacionar, efetivamente, aquilo que são as decisões do Regimento e o socorro à cidade, porque o Regimento é a entidade máxima de socorro" na cidade de Lisboa.

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